Veterinários lançam um guia para prevenir intoxicações por plantas em cães e gatos

A maioria dos proprietários desconhece que espécies tão comuns como o ciclâmen, o narciso ou mesmo o teixo, plantas ornamentais, onipresentes e aparentemente inofensivas, podem desencadear quadros clínicos graves em questão de minutos. Os veterinários lidam com esses casos com uma frequência que nem sempre se reflete nas estatísticas públicas, mas sim nas consultas e na crescente preocupação em oferecer ferramentas preventivas realmente úteis. Com esse objetivo, o Colégio Oficial de Veterinários de Barcelona (COVB) iniciou a distribuição de um novo folheto informativo focado nas plantas mais frequentemente envolvidas em intoxicações em cães e gatos. O material, elaborado por Gina Torrents Pineda no âmbito do seu Trabalho de Conclusão de Curso em Veterinária na Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e com a colaboração do próprio COVB, será enviado aos centros veterinários como apoio educativo, tanto para profissionais como para famílias. A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo que examina a situação atual destas intoxicações em Barcelona e a necessidade de reforçar a informação disponível para as prevenir.

Um recurso para antecipar o problema

 

O folheto reúne informação clara e acessível sobre as espécies vegetais mais frequentemente envolvidas em intoxicações domésticas, os sinais clínicos aos quais se deve prestar atenção e as recomendações essenciais de prevenção. Desde vómitos e hipersalivação até quadros mais graves que podem incluir convulsões, o material insiste na importância de não minimizar os sintomas e de sempre consultar o veterinário, evitando práticas caseiras como induzir o vómito sem indicação profissional.

Que sinais devem alertar os cuidadores

Embora muitas intoxicações sejam detectadas imediatamente, outras podem demorar até 24 ou 48 horas para se manifestar. Os sinais digestivos, que podem ser vómitos, diarreia, náuseas, hipersalivação, são os mais comuns e geralmente aparecem em primeiro lugar. Às vezes, são acompanhados de apatia, fraqueza ou perda de apetite e, nos casos mais complicados, podem surgir dificuldades respiratórias ou convulsões. O objetivo do material do COVB é precisamente ajudar a reconhecer esses quadros mais cedo e agir rapidamente, reduzindo a margem de complicações.

A recomendação mais repetida pelos profissionais é simples, mas nem sempre fácil de aplicar: evitar que o animal tenha acesso a plantas potencialmente tóxicas. Antes de incorporar uma nova espécie em casa, deve-se verificar se ela pode ser perigosa. A prevenção começa pelo básico e, por isso, o folheto propõe diretrizes que podem ser aplicadas em qualquer casa, desde colocar certas plantas fora do alcance até optar por alternativas seguras.

O que fazer quando já há suspeita

A primeira indicação é não provocar o vómito sem supervisão veterinária. Após uma ingestão suspeita, o caminho mais seguro é ir ao centro veterinário. O material didático também lembra que o Serviço de Informação Toxicológica do Instituto Nacional de Toxicologia (915 620 420) pode orientar em situações de dúvida, embora nunca substitua a avaliação clínica.

No entanto, mesmo agindo rapidamente, a intervenção profissional exige ferramentas que permitam lidar com o caso sem demoras. Nesta linha, destaca-se o desenvolvimento de opções terapêuticas mais ágeis e menos invasivas do que as tradicionais, especialmente em situações em que o tempo é um fator crítico.

Novas ferramentas clínicas

Entre as soluções mais recentes, destaca-se o lançamento do primeiro colírio emético, uma formulação destinada a facilitar a indução do vómito em cães através da aplicação ocular. Para os profissionais de saúde animal, esta via de administração elimina várias dificuldades habituais, uma vez que não requer preparação prévia, não obriga a medir doses e evita o stress associado a técnicas mais invasivas, como as injeções.

O folheto informativo do COVB não pretende resolver um problema complexo com uma única fórmula, mas contribui para colmatar uma lacuna informativa que se arrasta há anos de invisibilidade. Ao combinar educação preventiva, materiais adaptados para famílias e apoio clínico avançado, reforça-se a mensagem de que as intoxicações por plantas são evitáveis em grande parte, desde que os tutores disponham de informações claras e os profissionais tenham ferramentas eficazes para agir quando o inevitável acontece.

Cody Life