A 120 km por hora, um cochilo de três segundos equivale a percorrer quase 100 metros sem controlo do veículo. Descansar adequadamente é vital para evitar acidentes. Como prevenir micro-sonos e reduzir os riscos ao dirigir Dormir pouco e dirigir é uma combinação perigosa da qual às vezes não se tem consciência e representa um risco latente para motoristas e pedestres. Embora a prevenção geralmente se concentre nos perigos do álcool, das drogas ou do uso do telefone ao volante, a sonolência é responsável por milhares de acidentes e mortes a cada ano, afetando jovens, adultos e famílias igualmente, apontou a Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos (NSF, na sigla em inglês).
De acordo com a entidade, conduzir com sono aumenta a probabilidade de sofrer um acidente porque a falta de descanso afeta as habilidades motoras. A NSF considera que um condutor não está em condições de conduzir se tiver dormido menos de cinco horas num período de 24 horas. A Dra. Stella Maris Valiensi, médica da secção de Distúrbios do Sono do Serviço de Neurologia do Hospital Italiano e presidente da Associação Argentina de Medicina do Sono, explicou ao Infobae que é muito importante ter uma boa qualidade de sono na noite anterior à condução. De acordo com vários estudos, explicou a médica, a falta de sono na noite anterior à viagem pode fazer com que os reflexos e a capacidade de reação sejam reduzidos. O mesmo acontece quando se consome álcool. «E o organismo, nesses casos, pode até ter microintrusões de sono — o conhecido cochilo —, o que é muito perigoso quando se está a conduzir», alertou.
Embora a maioria reconheça o perigo, poucas pessoas pensam nas consequências, afirmou a NSF. Os jovens entre 16 e 25 anos e os trabalhadores por turnos são os que correm maior risco de adormecer ao volante, mas a maioria dos condutores lembra-se de uma ocasião em que passou por essa situação, afirmou a entidade. A NSF afirmou que a sonolência pode “diminuir o seu tempo de reação, diminuir a sua consciência, afetar o seu julgamento e aumentar o risco de sofrer um acidente”. E recomendou refletir antes de conduzir: “Estou suficientemente alerta para conduzir uma máquina de 1365 kg a alta velocidade na via pública?”.

Pais e adolescentes, grupos de risco
«Embora costumemos associar a condução sonolenta a camionistas ou trabalhadores noturnos, os pais representam uma população surpreendentemente vulnerável. Os novos pais sofrem uma importante interrupção do sono, o que pode provocar acidentes de trânsito», afirmou a entidade. Mesmo depois de superada a fase neonatal, os pais continuam enfrentando dificuldades para dormir. “Famílias com bebês e adolescentes costumam dirigir com sonolência, seja por turnos de trabalho, transporte dos filhos para a escola ou atividades, ou viagens longas nas férias. O resultado pode ser o mesmo: acidentes de trânsito”, alertou a NSF.
Muitos adolescentes sofrem privação de sono justamente quando sua necessidade biológica de descanso é maior, expondo-se assim ao perigo de acidentes, apontou a NSF. A maioria atribui a falta de sono às tarefas escolares e ao trabalho. “Os adolescentes que trabalham têm mais do que o dobro de chances de dirigir com sonolência do que aqueles que não trabalham”, afirmou a fundação.
Micro-sonos na estrada
A Dra. Valiensi explicou que os micro-sonos são pequenos momentos de sono enquanto uma pessoa está realizando atividades que exigem estado de vigília completa. Muitos trabalhadores podem sofrer de micro-sonos: desde motoristas até médicos, pilotos, estudantes, advogados, mecânicos e funcionários da linha de montagem. Como se manifestam os microsonos? “Pelo ‘desligamento’ do cérebro, segundo relatos de quem já sofreu com isso e costuma comentar: ‘Eu estava a conduzir e não sei o que aconteceu naqueles segundos’. A pessoa adormece por alguns segundos. Se for realizado um estudo das ondas cerebrais nesse momento, é possível observar um sono superficial de poucos segundos. Nesse momento de microsono, de 0,5 a 15 segundos, as neurónios não respondem, há uma falta total de resposta, acompanhada de um fecho lento e progressivo dos olhos e aparece uma atividade theta”, descreveu Valiensi.
Segundo expressou em Infobae Luchemos por la Vida, uma organização não governamental sem fins lucrativos cujo objetivo é prevenir acidentes de trânsito na Argentina, não se trata apenas de adormecer completamente ao volante. “Basta um leve cochilo de alguns segundos para aumentar exponencialmente o risco de acidente. Por exemplo, a 120 km/hora, um cochilo de 3 segundos fará com que o veículo percorra quase 100 metros sem condutor. A distância aumenta para quase 200 metros se for um microsono de seis segundos”, afirmou a entidade. Luchemos por la Vida alertou que dirigir com sono pode ser quase tão perigoso quanto dirigir embriagado. “A maioria das pessoas sabe que beber álcool e dirigir pode ser fatal, mas ignora isso. Estudos internacionais estimam que isso causa até 30% dos acidentes de trânsito”, disse a organização.

Sinais de alerta ao volante
Segundo a Dra. Valiensi, entre as sensações de sonolência ao dirigir estão: “Sentir os olhos cansados, como se estivessem fechando, ou aumentar o piscamento. Outro sinal é bater nas faixas que estão na estrada. Além disso, seguir outros condutores muito de perto ou dificuldade em manter a velocidade adequada, ou seja, o condutor acelera e desacelera. Todos são sinais de alarme de que se está a adormecer”, alertou. Os sintomas da sonolência podem aparecer de forma repentina e é fundamental reconhecê-los, afirmou a NSF, e são os seguintes:
- Bocejos ou piscadas frequentes
- Dificuldade em lembrar os últimos quilómetros percorridos
- Omissão de saídas ou sinais de trânsito
- Desvios de faixa
- Bater nas faixas sonoras
- Problemas para manter os olhos abertos
“Se notar algum destes sinais de alerta de sonolência ao dirigir, pare em um local seguro e descanse, alongue-se ou tome uma bebida com cafeína. Continue dirigindo quando se sentir alerta e descansado”, recomendou a NSF.
Como se preparar para conduzir com segurança
1. Durma o suficiente na noite anterior à viagem. Embora a sensação de uma boa noite de sono varie de pessoa para pessoa, a Fundação Nacional do Sono recomenda dormir de 7 a 9 horas por noite para a maioria dos adultos e de 8 a 10 horas para a maioria dos adolescentes.
2. Durante o dia, exponha-se à luz solar, faça exercícios e coma em horários regulares.
3. À noite, evite refeições pesadas, nicotina, cafeína e álcool antes de dormir. Tente manter uma rotina de relaxamento constante e crie um ambiente propício para dormir.
4. Planeie viagens longas com um acompanhante. «Um bom acompanhante é alguém que fica acordado para conversar consigo e que estará atento ao seu estado de alerta», afirmou a NSF.

5. Programar paragens regulares, a cada 160 quilómetros ou duas horas de viagem. «Planeie as viagens com antecedência, marcando as paragens para descanso ao longo do seu percurso. Parar a cada duas horas permite que se levante do volante para descansar um pouco ou se alongar para melhorar a circulação», recomendou a NSF.
6. Coma refeições leves e saudáveis: “É melhor evitar refeições pesadas na noite anterior à viagem, porque fragmentam o sono. Recomenda-se jantar leve na noite anterior e longe da hora de dormir. E evite sair com um pequeno-almoço muito abundante, pois pode promover o sono durante a viagem”, aconselhou a médica.
7. Evitar o álcool: “Se consumir álcool, mesmo que não seja em grandes quantidades, estará prejudicando o seu descanso. E isso pode se traduzir em um simples cansaço que, no caso de uma viagem longa, pode ser perigoso para os reflexos. Não se deve evitar o álcool apenas durante a condução. Beber álcool no dia anterior pode causar falhas nos reflexos no dia seguinte, quando o nível de álcool no sangue já está normal”, alertou a médica.
8. Tenha cuidado com medicamentos (com ou sem receita) que possam causar sonolência e afetar o desempenho.
9. Consultar o médico. “Se sentir sonolência diurna frequente ou dificuldade em manter-se acordado ao conduzir, por exemplo, num semáforo ou numa viagem longa, consulte um médico para um possível diagnóstico e tratamento de um distúrbio do sono”, disse a NSF.
10. Replicar os hábitos de um dia normal: “Levantar-se à mesma hora, respeitar os horários das refeições, fazer uma pequena sesta (se costuma fazê-la). E quando sentir fadiga (peso nas pálpebras, vermelhidão e prurido ocular, bocejos), é bom parar, na medida do possível e respeitando o trânsito”, recomendou a Dra. Valiensi.
