A lista da Fauna & Flora alerta sobre animais e plantas que enfrentam ameaças críticas, destacando a importância de ações urgentes para evitar o desaparecimento e frear a perda da biodiversidade mundial Uma publicação recente da Popular Science alerta que 2026 será um ano decisivo para a sobrevivência de dez espécies em risco de extinção, de acordo com uma nova lista elaborada pela organização internacional Fauna & Flora.
O relatório identifica espécies em risco extremo e aponta a urgência de intensificar a conservação para evitar uma maior perda de biodiversidade. A meta global é reverter o desaparecimento de espécies antes de 2030, e o documento detalha os desafios e oportunidades existentes para proteger a fauna e a flora em todo o mundo. A lista, desenvolvida pela Fauna & Flora, combina rigor científico e experiência de campo. Kristian Teleki, diretor da organização, explicou à Popular Science que este compêndio procura dar visibilidade tanto às ameaças às espécies vulneráveis como às iniciativas ainda capazes de mudar o rumo. Além disso, precisou que o objetivo é destacar «plantas e animais extraordinários que estamos a esforçar-nos por proteger e as pessoas que trabalham em prol da sua sobrevivência».
As ameaças apontadas pela Popular Science são diversas e de grande alcance. Entre os principais fatores estão a perda e fragmentação de habitat causadas pelo desmatamento, desenvolvimento urbano e intensificação agrícola. O tráfico ilegal impulsiona a caça e a extração clandestina de animais e plantas, enquanto a superexploração e as alterações climáticas continuam a ser riscos complexos.
Espécies em perigo crítico: perfis e ameaças
1- Cobra fer de lance de Santa Lúcia
Répilo venenoso exclusivo das Pequenas Antilhas, a sua permanência está ameaçada pela perseguição direta. É um indicador-chave da saúde dos ecossistemas insulares.

2- Enguia europeia
Anteriormente abundante na Europa, a enguia europeia sofreu uma redução de 95% no Reino Unido nos últimos vinte e cinco anos. Desempenha uma função essencial nos ecossistemas aquáticos e o seu declínio afeta as cadeias tróficas e as atividades pesqueiras. A exploração, o comércio ilícito e as alterações ambientais agravam a sua situação crítica.
3- Pangolim de Temminck
É o único pangolim da África Oriental e Austral adaptado a ambientes semiáridos. Sofre pressão constante devido ao tráfico ilegal de carne e escamas, o que o coloca em situação crítica. A Fauna & Flora apoia clínicas de emergência em Moçambique para a sua reabilitação e proteção.
4- Gibão cao vit
Segundo primata mais raro do mundo, do qual se conhecem apenas 74 exemplares, de acordo com o censo de 2021 realizado com gravações acústicas e câmaras térmicas. O futuro da espécie depende da eficácia das ações de restauração e proteção iniciadas desde a sua redescoberta em 2002.
5- Raia-preta
Esta espécie de raia, encontrada no Mediterrâneo e no Atlântico oriental, é afetada pela pesca acidental de tubarões e raias. A redução da sua população alerta para a fragilidade dos ecossistemas marinhos e a necessidade de ampliar as áreas marinhas protegidas.
6- Iguana-de-cauda-espinhosa-de-Utila
Restrita aos manguezais de uma pequena ilha hondurenha, a iguana de Utila mostra sinais de recuperação após a proteção do seu habitat local. A população cresceu de 3.000-6.000 exemplares para uma faixa estimada de 7.000 a 14.000, graças a ações de conservação direcionadas e monitoramento contínuo.
7- Falcão-sacre
O comércio reduziu a população mundial desta espécie para menos de 30.000 indivíduos. A captura ilegal representa um desafio constante para os organismos de conservação, que reforçam a aplicação das leis e a proteção de ninhos estratégicos.
8- Leopardo-nebuloso-asiático
Ameaçado pelo mercado de animais de estimação e pelo tráfico de peles, o leopardo-nebuloso é protegido por patrulhas locais no Parque Nacional Virachey, no Camboja. A sua escassez revela a elevada pressão humana sobre os grandes carnívoros asiáticos.

9- Tarântula-arco-íris-indiana
Gravemente afetada pela fragmentação do território e pelo comércio exótico, a tarântula-arco-íris-indiana é objeto de censos e campanhas educativas lideradas por mulheres. Especialistas em invertebrados cooperam com as comunidades locais para reforçar a sua sobrevivência.
10- Tulipas selvagens da Ásia Central
Das 63 espécies nativas em países como o Cazaquistão e o Quirguistão, muitas estão ameaçadas pelo sobrepastoreio, a colheita de flores, a urbanização e as alterações climáticas. Estas plantas representam um símbolo da vulnerabilidade florística regional face às pressões humanas e ambientais.
Ações e perspetivas
As ações de proteção abrangem desde a restauração de habitats até patrulhas comunitárias, sensibilização ambiental, aplicação reforçada das leis e fortalecimento das áreas protegidas. Outras estratégias incluem a reintrodução controlada, a proteção de corredores biológicos e a ampliação de redes de áreas marinhas protegidas. A atualização constante dos dados permite focar recursos e adaptar intervenções no terreno.
A nível internacional, 2026 apresenta-se como um ano chave, a apenas quatro anos da meta global para reverter a perda de biodiversidade antes de 2030. Teleki disse à Popular Science que “as espécies com as quais partilhamos o planeta são extraordinárias” e destacou: “Cada planta e animal desempenha uma função essencial na vida terrestre”; por isso, “não se pode continuar a adiar a ação” para mudar o destino dos seres vivos mais ameaçados. O rápido declínio das populações selvagens e as condições cada vez mais adversas para numerosas espécies impõem a necessidade de agir imediatamente para proteger o património natural do planeta antes que o prazo acordado pela comunidade internacional expire. A urgência de uma ação coordenada é inelutável para evitar o desaparecimento de espécies únicas.
