Vizinhos e voluntários aproximam-se das falésias da Islândia com pequenas aves marinhas nas mãos e atiram-nas para o vazio. Esta imagem pode causar repulsa imediata, mas por trás deste gesto há uma explicação científica válida e uma tradição profundamente ligada à proteção do meio ambiente. Esta é uma medida fundamental para proteger os papagaios-marinhos, uma espécie emblemática cuja sobrevivência está seriamente ameaçada. Não se trata de um ato cruel, mas sim de um lançamento controlado que faz parte de um sistema de resgate destinado a corrigir os efeitos da atividade humana no comportamento natural dessas aves.
Por que lançam as aves das falésias para as salvar
Concentra-se uma parte significativa da população mundial de cair. O problema surge quando os filhotes deixam seus ninhos subterrâneos pela primeira vez. Essas aves jovens, conhecidas como pufflings, devem ser guiadas pela luz da lua até o mar, mas a poluição luminosa das cidades e portos perturba esse instinto. No entanto, a iluminação artificial desorienta as aves, que acabam por se encontrar nas ruas, em jardins ou em zonas industriais, incapazes de voar e expostas ao perigo de serem atropeladas por carros ou capturadas por predadores.

O salvamento das gaivotas marinhas : uma importante tradição comunitária
Perante esta ameaça, em regiões como as ilhas Vestmann, foi dada uma resposta coletiva. Todos os anos são organizadas patrulhas noturnas, compostas por vizinhos, famílias e crianças, que percorrem as localidades à procura de pufflings perdidos. Armados com lanternas e caixas de cartão, recolhem cuidadosamente as aves e transportam-nas para locais seguros. Estas aves são examinadas, pesadas e, em alguns casos, identificadas para monitorização científica. Ao amanhecer, chega o momento mais marcante do processo. Os voluntários aproximam-se das falésias e lançam as aves ao ar, certificando-se de que elas podem abrir as asas e voar para o mar aberto. Este ato é, na verdade, o último passo da operação de resgate, que a cada temporada salva milhares de indivíduos e permite preservar o ciclo reprodutivo da espécie.
Papagaios-do-mar em risco de extinção: ameaças e futuro da espécie
Apesar do sucesso destas operações de resgate, o papagaio-do-mar-atlântico continua a ser classificado como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), de acordo com a National Geographic. O aquecimento dos oceanos, a redução da quantidade de peixes de que se alimentam e a pressão humana sobre os ecossistemas marinhos continuam a ameaçar a sua sobrevivência. Os especialistas concordam que atirar as aves das falésias é apenas uma medida de emergência. A longo prazo, será necessário reduzir a poluição luminosa, proteger os mares e regulamentar as atividades que afetam a biodiversidade.
