Especialistas em nutrição explicam que, após um consumo elevado, a melhor opção é retomar os hábitos habituais e evitar restrições que só aumentam o mal-estar Um desejo, uma comemoração ou uma tarde de sobremesas podem levar a um consumo de açúcar maior do que o habitual. Pouco depois, o mal-estar pode aparecer: cansaço, digestão pesada e até remorso. Embora a tentação de buscar soluções rápidas seja forte, especialistas em nutrição insistem que os verdadeiros aliados para se recuperar não são as restrições, mas a constância, o autocuidado e o equilíbrio.
A tendência de restringir alimentos ou recorrer a limpezas dispendiosas não beneficia o bem-estar, segundo Marissa Beck e Alexis Silver, citadas pela EatingWell. A primeira aconselha retomar o autocuidado e ouvir os sinais de fome e saciedade, enquanto a outra lembra que a saúde depende de hábitos gerais, não de episódios isolados. Nesse sentido, David Ludwig, endocrinologista da Harvard Health, adverte que dietas restritivas após um excesso apenas aumentam a ansiedade e geralmente fracassam. Willett Grant, também de Harvard, enfatiza a importância de olhar para a alimentação como um todo, e não apenas para um único momento.
Alimentação equilibrada: a base da recuperação

A primeira recomendação para o dia seguinte a um excesso de açúcar é optar por um pequeno-almoço equilibrado, rico em proteínas e fibras, em vez de saltar refeições para compensar. «Um pequeno-almoço assim ajuda a estabilizar os níveis de glicose e evita que o ciclo de consumo excessivo se repita», explica Beck.
Pode interessar-lhe:Inchaço abdominal persistente: causas frequentes, sinais de alerta e quando procurar ajuda profissionalOs cereais com fibra e o frango ao almoço favorecem a regulação do metabolismo após um episódio de elevado consumo de açúcar (Imagem ilustrativa Infobae)
Entre os exemplos incluídos na EatingWell destacam-se o iogurte grego com frutos vermelhos e sementes de chia, cereais com fibra e frango para o almoço, salada de grão-de-bico à tarde e salmão com vegetais ao jantar. A chave, aponta o meio, é manter refeições regulares que previnam possíveis desequilíbrios e proporcionem uma sensação de controlo.
Hidratação e movimento: aliados para se sentir melhor
A hidratação e a atividade física são fundamentais na recuperação após um excesso de açúcar. Lisa Andrews, mencionada na EatingWell, sugere fazer caminhadas para ajudar a reduzir a glicose no sangue e melhorar o humor.
Alyssa Smolen acrescenta que, em muitos casos, o mal-estar provém da desidratação e não apenas da ingestão de açúcar. Por isso, beber água contribui para o bem-estar geral e favorece a digestão. Hidratar-se e movimentar-se são ações simples que podem fazer uma diferença significativa.
O Dr. Ludwig, de Harvard, também enfatiza que movimentos suaves, como caminhar ou fazer alongamentos, podem ajudar o corpo a se regular naturalmente após um excesso de açúcar, melhorando o humor e acelerando a recuperação metabólica.
Atitude compassiva e reflexão: como lidar com o mal-estar

Adotar uma visão compassiva em relação a si mesmo é fundamental no processo de recuperação. Silver insiste que nenhum alimento define o valor pessoal e que a relação com os alimentos deve surgir da consciência e da curiosidade.
Analisar os motivos por trás do consumo excessivo — como stress, tédio ou simplesmente prazer — permite identificar padrões e aprender com a experiência. A EatingWell destaca a importância de evitar a vergonha e recomenda, se os episódios de compulsão alimentar se repetirem, procurar apoio profissional para lidar com o problema.
Retomar hábitos saudáveis após um episódio de consumo elevado de açúcar tem um efeito mais positivo do que recorrer a restrições bruscas.
Como conclui a EatingWell, a saúde é construída a partir do comportamento cotidiano e das escolhas diárias, não por um único episódio de ingestão elevada de açúcar. Concentrar-se no equilíbrio e na constância é a melhor estratégia para manter o bem-estar a longo prazo, como destacam os especialistas da Harvard Health.
Além disso, os especialistas sublinham que ouvir os sinais do corpo após um excesso — como sede, fadiga ou alterações no apetite — pode tornar-se uma ferramenta de aprendizagem, não de castigo. Entretanto, priorizar o descanso, uma hidratação adequada e movimentos suaves favorece a autorregulação fisiológica e emocional.
A Harvard Health destaca que essa atitude flexível e consciente ajuda a reconstruir uma relação mais estável com a comida, reduz a probabilidade de ciclos de culpa e reforça hábitos sustentáveis ao longo do tempo.
