O avanço da inteligência artificial e da automação impulsiona um debate global sobre o futuro do emprego Jeff Bezos, fundador da Amazon, abordou o futuro do emprego ao afirmar que «só há um tipo de trabalhador que nunca poderá ser substituído pela inteligência artificial: aquele que possui a capacidade de inventar». As suas declarações, proferidas durante a Italian Tech Week 2025, surgem num contexto global marcado pelo avanço da inteligência artificial e pela preocupação com o seu impacto no mercado de trabalho. De acordo com o Fórum Económico Mundial, a automação pode afetar quase 50 milhões de empregos apenas nos Estados Unidos, enquanto a IA tem o potencial de substituir mais da metade das tarefas realizadas por analistas de mercado e representantes de vendas, de acordo com uma análise da Bloomberg.
Desde a apresentação do ChatGPT em 2023, a inquietação entre trabalhadores e empresas tem vindo a aumentar. Os especialistas alertam que, embora se preveja a criação de 170 milhões de novos empregos nesta década, a IA poderá automatizar um número equivalente, especialmente em tarefas de escritório e cargos de nível inicial. Nesse sentido, o desenvolvimento da inteligência artificial poderá transformar profundamente o acesso e a procura por competências nas empresas. Durante a sua intervenção, Bezos explicou que a inventividade é o motor da inovação e constitui a base de todo o avanço tecnológico. O fundador da Amazon lembrou como, quando criança, aprendeu o valor da criatividade prática ao reparar um bulldozer com o seu avô numa fazenda da família no Texas.

“Passámos um verão inteiro a consertá-lo. Para retirar a transmissão, tivemos que construir o nosso próprio guindaste”, contou ele ao público. Essa experiência, segundo o empresário, ensinou-lhe a importância de resolver problemas com engenhosidade e determinação. Bezos definiu-se como inventor por natureza e afirmou: «Coloque-me diante de um quadro branco e posso gerar cem ideias em meia hora». Ele explicou que essa mentalidade foi fundamental para o crescimento da Amazon, que passou de uma pequena livraria online para uma gigante das vendas pela Internet.
Além disso, ele destacou que procura esse perfil criativo nos candidatos que aspiram a um cargo em suas empresas. “Quando entrevisto candidatos, peço que me deem um exemplo de algo que tenham inventado”, declarou. Para ele, os profissionais com mentalidade inovadora mantêm vivas a experimentação e a capacidade de adaptação dentro das organizações. Numa entrevista anterior, Bezos reconheceu: «Tenho mais medo de dois jovens numa garagem do que dos concorrentes que já conheço», em referência ao surgimento de empresas como a Google ou a Apple. O auge da inteligência artificial acelerou uma mudança na forma como as empresas valorizam os seus trabalhadores, priorizando a criatividade em detrimento dos títulos ou da antiguidade.

Pouco depois destas declarações, a Amazon anunciou o despedimento de 1.800 engenheiros em Nova Iorque, Califórnia, Nova Jérsia e Washington. O corte, que segundo a CNBC poderá atingir os 14.000 funcionários a nível global, gerou surpresa entre os analistas. A diretora de recursos humanos, Beth Galetti, garantiu ao anunciar os despedimentos que a empresa manteria o seu foco na «inovação». O debate sobre o impacto da inteligência artificial no emprego continua, enquanto figuras como Jeff Bezos insistem que a inventividade humana continua a ser um diferencial insubstituível para as empresas e a sociedade.
