O primeiro mapa europeu de alta resolução, que reflete quantitativamente a densidade populacional de javalis selvagens em todo o continente, mostra que é um dos países com maior número desses animais. Um novo estudo realizado pelo consórcio europeu ENETWILD e pelo Instituto de Investigação de Recursos Cinegéticos (IREC, CSIC-UCLM) revela que em Espanha vivem mais de 2,4 milhões de javalis.
O mapa de Noator confirma a dimensão da população de javalis selvagens
Este é um dos índices mais elevados da Europa, que faz parte do cálculo continental, segundo o qual a população total é de 13,5 a 19,6 milhões de javalis selvagens. Os dados mostram fortes desproporções territoriais.
A Catalunha destaca-se como uma das zonas mais afetadas, com mais de 200 000 indivíduos, enquanto outras regiões do centro e norte da península têm uma densidade populacional igualmente elevada.
Esta distribuição desigual explica por que razão os conflitos com a atividade humana se concentram em determinadas regiões e não de forma uniforme em todo o país.

Alta resolução e dados comparáveis para melhorar a gestão sanitária dos javalis
Uma das principais inovações do projeto é o seu nível de detalhe. O mapa foi elaborado com uma malha de 2×2 quilómetros, o que permite determinar com precisão as zonas de maior concentração destes animais.
Até agora, cada país utilizava métodos diferentes, o que não permitia comparar os resultados e prever os riscos gerais. O modelo desenvolvido foi aprovado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e é fundamental para avaliar a propagação de doenças como a peste suína africana (PSA).
Ao contrário dos cálculos tradicionais, o conhecimento da densidade real da população de javalis permite avaliar com mais fiabilidade como o vírus se mantém e se propaga no ambiente natural, o que é uma informação importante para a proteção tanto da fauna selvagem como da pecuária intensiva.
Corredor mediterrânico, zona crítica de alto risco
A análise identifica uma área particularmente vulnerável: o chamado corredor mediterrânico. Esta área estende-se desde o sul de França, atravessa a Catalunha e desce até ao sudeste da península.
Nesta zona concentra-se uma elevada densidade populacional de javalis selvagens, grandes explorações suinícolas e grandes infraestruturas logísticas.
A combinação destes fatores aumenta o risco de transmissão de agentes patogénicos entre animais selvagens e gado doméstico, o que pode ter consequências graves para o setor suinícola e o comércio externo.
A existência deste tipo de mapas permite estabelecer prioridades de ação e reforçar a vigilância onde o impacto pode ser mais significativo.

Das estatísticas de caça ao javali à gestão baseada em dados científicos
Um estudo que será publicado no European Journal of Wildlife Research mostra que as estatísticas de caça podem ser uma ferramenta fiável, se forem devidamente calibradas.
No caso de Espanha, os dados foram complementados com sistemas de câmaras fotográficas instaladas em dezenas de locais através da rede FAUNET, coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação.
Esta abordagem integrada permite avaliar se a pressão cinegética é suficiente para conter o crescimento da população e reduzir a prevalência de doenças no ambiente.
De acordo com o IREC, o mapa representa um ponto de viragem na gestão de grandes mamíferos na Europa e mostra que só através da cooperação científica e da partilha de dados é possível lidar com um problema que não conhece fronteiras.
