O calor trouxe consigo um problema inesperado para a província: o bariguí, uma pequena «mosca preta» que pica pessoas e animais, invadiu em quantidades nunca antes vistas a bacia do rio Salado e causou incómodo em vários povoados, como Junín e Bragado. A bariguí é resistente aos repelentes comuns, pica com pequenas garras e pode causar desde forte comichão até infecções, se a ferida se complicar. Ao contrário do mosquito, o seu ataque é geralmente mais agressivo e persistente.
Em entrevista ao Telenoche, o entomologista Guillermo Tarelli explicou que esses insetos «estão sempre presentes no meio ambiente», mas as chuvas intensas e o aumento do caudal dos rios e riachos criam condições ideais para a sua reprodução em grandes quantidades. «Quando a água escorre para cursos de água com bom caudal e boa saturação de oxigénio, é aí que as larvas se reproduzem», explicou. Regiões como Junín, segundo ele, sofrem com esse fenômeno há mais de duas décadas, especialmente em anos de fortes inundações.
Embora sejam normalmente associadas a inundações, Tarelli explicou que o problema não é a água estagnada, como no caso dos mosquitos, mas sim o contrário: «O barquinho desenvolve-se em águas correntes, por isso é tão difícil combatê-lo». Esta característica torna os métodos tradicionais de desinfestação ineficazes. «O combate é difícil porque as larvas se encontram em rios com grande caudal. O combate aos insetos adultos tem baixa eficácia», alertou o especialista, observando que hoje a principal estratégia consiste na prevenção individual.

O barquinho não pica como um mosquito. «Ele não pica: ele corta a pele e se alimenta do sangue que escorre», explicou Tarelli. Por isso, eles são chamados de telomófagos, ao contrário dos mosquitos, que se alimentam diretamente dos capilares. Essa picada deixa uma pequena ferida aberta, o que aumenta o risco de infecção, especialmente se a pessoa coçar.
«A primeira coisa a fazer é lavar o local da picada o mais rápido possível. Aplicar frio ajuda, e o mais importante é não coçar, porque a pessoa pode introduzir microrganismos patogénicos com as mãos ou as unhas», disse ele. Embora não transmita doenças, o bariguí pode causar reações alérgicas graves, inflamação prolongada e comichão intensa. Além disso, ao picar, ele injeta um anestésico, por isso muitas vezes o desconforto só aparece algumas horas depois, quando o dano já está feito. Por isso, os especialistas recomendam usar roupas claras, de mangas compridas e largas, evitar atividades em áreas costeiras — especialmente ao amanhecer e ao entardecer — e usar repelentes com alta concentração de DEET, embora sua eficácia seja menor do que contra os mosquitos.
