Em que investir as poupanças para 2026: as melhores alternativas, segundo os especialistas

Quais instrumentos consideram mais bem posicionados num cenário local mais organizado e num contexto internacional marcado por dúvidas sobre avaliações e política monetária Após um 2025 marcado pela volatilidade financeira, o contexto eleitoral e a transição para um novo esquema macroeconómico, os analistas começam a delinear as estratégias de investimento para 2026. Com um cenário local que parece mais organizado, mas um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, os especialistas concordam que o ano exigirá carteiras diversificadas, seletividade e um acompanhamento atento das variáveis-chave.

Os instrumentos em euro, a dívida ajustada pela inflação, os ativos em dólares, as ações locais e internacionais e as alternativas de cobertura estão entre as principais opções avaliadas por economistas, consultoras e corretoras. A seguir, uma análise detalhada do que funcionou em 2025 e quais são as apostas que concentram maior atenção para o próximo ano.

O que deixou 2025

A gerente geral da Emerald Capital Global, Elena Alonso, destacou que, durante 2025, os instrumentos mais eficazes foram aqueles que conseguiram “proteger o capital e capturar taxas em um contexto de transição e incerteza macroeconómica e política”.

No segmento em pesos, destacou o desempenho dos ativos de taxa fixa nos momentos em que o mercado começou a antecipar uma desaceleração da inflação e maior estabilidade cambial. Paralelamente, sublinhou o papel da dívida ajustada pelo CER para perfis conservadores. «Permitiu manter o poder de compra num ano em que a nominalidade continuou elevada», explicou.

Em dólares, Alonso destacou a recuperação da dívida soberana hard dollar após as eleições, com aumentos relevantes nos preços, embora tenha esclarecido que grande parte dessa melhoria já se reflete nas cotações atuais. Em renda variável, o desempenho foi desigual: “Alguns setores ficaram para trás e não conseguiram recuperar os máximos do início do ano, o que abre oportunidades para o futuro, mas 2025 não foi um ano homogéneo para as ações”.euro e dólares, no centro das decisões de investimento para 2026, num contexto de desinflação em debate e maior estabilidade macroeconómica (Crowdium)

Da Max Capital, o balanço foi diferente para a curva ajustada pela inflação. A empresa apontou que “o investimento com menor retorno total do ano foram os títulos CER”, num contexto marcado pela saída do cepo para retalhistas em abril e pela incerteza eleitoral, fatores que resultaram numa inflação um pouco maior do que a prevista no início de 2025.

Cenário para 2026: menos ruído político e foco nas variáveis macroeconómicas

De olho em 2026, Alonso afirmou que o cenário local parece «mais organizado», sem eleições no curto prazo e com maior apoio político para avançar nas reformas. Ele também mencionou as projeções favoráveis para setores como agricultura, mineração e petróleo e gás, que poderiam trazer mais dólares para a economia.

Nesse contexto, a estratégia que ele propõe baseia-se na diversificação. “O segredo é manter um portfólio equilibrado entre taxa fixa, CER e dólares”, afirmou.

Em euro, ele considerou atraentes os instrumentos de taxa fixa se o plano econômico for cumprido, com a inflação em queda e o câmbio oscilando dentro das bandas. Para uma inflação projetada em torno de 21% em 2026, ele mencionou títulos como o T30J6 ou o T30A7, que “oferecem taxas interessantes e potencial de compressão se o custo do dinheiro continuar a cair”.

A dívida CER aparece como uma alternativa mais conservadora sob o novo regime cambial. Segundo Alonso, o ajuste das bandas com inflação defasada pode gerar demanda por esses ativos. Nesse segmento, ele citou títulos como o TZXM7 ou o TX31, que permitem acumular taxa real com menor risco do que a taxa fixa pura.

Em dólares, ele observou que, embora os títulos soberanos já tenham subido, ainda pode haver margem se a compressão do risco-país continuar. Para perfis menos voláteis, destacou o Bopreal 2027, com rendimentos próximos a 7% ao ano em dólares.

Em renda variável local, ele focou em ações que não recuperaram máximas. Em energia, mencionou alternativas como YPF e Vista, enquanto no setor financeiro destacou Galicia e Macro, entre outras, na medida em que a economia e o crédito forem se reativando.

Visão internacional e cobertura

Da Value International Group, o economista Daniel Garro apresentou uma leitura diferente, com ênfase na personalização das carteiras. “Não há investimentos, mas sim investidores”, afirmou, ressaltando que as decisões dependem do perfil, dos objetivos e da tolerância ao risco de cada caso.

Garro diferenciou entre investimento e cobertura, dois conceitos que, segundo explicou, costumam ser confundidos. Em matéria de cobertura, ele apontou que, durante 2025, “não há dúvida de que o ouro e a prata foram as estrelas”, juntamente com a platina e ativos digitais como Bitcoin e Ethereum, que sua empresa vem recomendando desde 2023.

Em relação aos investimentos tradicionais, ele afirmou que houve oportunidades relacionadas à tecnologia e à inteligência artificial, embora com algumas ressalvas. “Concordamos com a visão de que há uma bolha na inteligência artificial”, afirmou, e apontou que as avaliações de muitas empresas estão muito distantes de seus lucros futuros estimados.

Nesse contexto, Garro alertou para a possibilidade de uma correção nos mercados globais durante 2026, ligada ao processo de rollover da dívida em economias centrais como os Estados Unidos e o Japão. Segundo explicou, ambos os países enfrentam dificuldades para refinanciar a dívida a longo prazo, o que os obrigou a concentrar-se em emissões de curto prazo, um dado que, na sua opinião, reflete uma maior perceção de risco por parte do mercado.

Para 2026, a sua recomendação é priorizar a cobertura dentro das carteiras, diante de um cenário internacional que considera «complexo» e com potencial de volatilidade. Nesse sentido, voltou a mencionar metais preciosos e criptoativos como elementos centrais para enfrentar um ano que poderá ser marcado por ajustes nos mercados globais.

Estratégias de renda fixa e ações

Os especialistas da Invertir Online oferecem uma análise integral do cenário internacional e local, com recomendações concretas por classe de ativo. No plano global, a empresa apontou que, embora as avaliações do “equity” norte-americano sejam elevadas, existem fatores que as sustentam, como os cortes nas taxas da Reserva Federal, o crescimento dos lucros corporativos e um dólar mais fraco.

De acordo com o relatório, o mercado projeta um crescimento dos lucros do S&P 500 de 13% ao ano em 2026, o que marcaria o terceiro ano consecutivo de expansão de dois dígitos. No entanto, a IOL Inversiones destacou a necessidade de diversificar, incorporando exposição à Europa, mercados emergentes e setores específicos, como saúde, serviços públicos e tecnologia selecionada.

Em commodities, a empresa mostrou-se neutra em relação ao ouro, após os máximos históricos atingidos em 2025, mas otimista em relação ao cobre, devido ao seu papel fundamental na infraestrutura elétrica e ao seu atraso relativo nos preços. No plano local, a IOL projeta um crescimento económico próximo de 4% em 2026, apoiado por maior estabilidade, recuperação do crédito e avanço das reformas estruturais. Em matéria de inflação, a entidade apresenta dois cenários: um de continuidade da desinflação e outro de pausa, com resistências em torno de 2% mensal durante o primeiro trimestre.

Em renda fixa local, a IOL considera que o principal impulsionador será a dinâmica das reservas. Num cenário positivo, com acumulação sustentada e acesso aos mercados, estima uma convergência do risco-país para 450 pontos-base, o que implicaria retornos próximos de 8% para títulos como o GD35. Num cenário alternativo, com menor acumulação, destacam-se instrumentos como o BPOC7 e créditos corporativos de alta classificação. Dentro da curva em euro, o relatório propõe uma estratégia seletiva, com preferência por Lecaps de curto prazo e Boncaps até 2027, num contexto de taxas reais negativas e expectativas de desinflação. Em CER, recomenda cautela no trecho longo.

Em renda variável local, a IOL destaca que o Merval já não se move como um bloco e que a seletividade é fundamental. O setor de petróleo e gás volta a aparecer como um dos mais destacados, sobretudo com empresas ligadas a Vaca Muerta e ao impacto estrutural que o setor tem sobre a conta corrente. Em resumo, os especialistas concordam que 2026 se apresenta como um ano com melhores fundamentos do que 2025, tanto a nível local como internacional, embora sem margem para estratégias lineares. A diversificação, a seleção de ativos e o acompanhamento das variáveis macroeconómicas surgem como eixos centrais para definir onde investir as poupanças para o próximo ano, num contexto em que as oportunidades coexistem com riscos que exigem prudência e análise constante.

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