Uma operação científica estatal recuperou as primeiras peças do galeão afundado em 1708. As amostras já se encontram num laboratório para conservação e análise. Uma operação científica estatal recuperou as primeiras peças do galeão naufragado em 1708. (Fonte: Arquivo)Atualizado em 6 de janeiro de 2026, 17:08Nesta notíciaDescobertas nas profundezas do Mar das CaraíbasA controvérsia legal sobre a descoberta do galeãoFuturo da conservação, estudo e acesso público O galeão San José voltou a ser um tema relevante na agenda nacional após a recuperação pelo Estado colombiano de um conjunto de peças a 600 metros de profundidade. Esta descoberta inclui moedas, uma chávena de porcelana e um canhão, que fazem parte do grande tesouro que permaneceu escondido durante mais de três séculos.
O resgate faz parte de um ambicioso projeto arqueológico que tem como objetivo reconstruir não apenas o conteúdo do navio, mas também o contexto histórico do navio que naufragou em 1708 durante um combate naval na costa de Cartagena.Recriação. Adeus à extinção: uma ave histórica será a primeira espécie a voltar à vida após mais de 300 anosabre em nova abaPode ser do seu interesseConstruem um dos metros mais amplos da América do Sul: tem uma extensão considerável, liga cidades e começará a funcionar a partir deste ano abre em nova aba
Através da utilização de robôs submarinos e navios da Marinha, as equipas conseguiram aceder ao local sem realizar intervenções invasivas na área protegida. As peças recuperadas estão atualmente num processo de conservação que permitirá identificar a sua proveniência, os métodos de fabrico e detalhes sobre a rota que a Frota de Terra Firme seguia na sua viagem para a Europa.
Descobertas nas profundezas do Mar das Caraíbas

Após 317 anos no fundo do mar, a equipa estatal conseguiu extrair para a superfície um canhão, três macuquinas (moedas coloniais) e uma chávena de porcelana, bem como fragmentos e sedimentos associados ao naufrágio. Estas peças constituem as primeiras evidências materiais obtidas do sítio arqueológico e serão priorizadas para análises que permitam confirmar a identidade do navio e fornecer informações sobre a carga transportada no século XVIII. A diretora do Instituto Colombiano de Antropologia e História, Alhena Caicedo Fernández, destacou que esta recuperação «abre a possibilidade para que os cidadãos se aproximem, através de evidências materiais, da história do galeão San José». Ambas as entidades sublinham que o trabalho científico permitirá avançar na compreensão do contexto económico, social e político relacionado com o naufrágio.O galeão San José: tesouros encontrados após 317 anos no fundo do mar colombiano (foto: arquivo).
A controvérsia jurídica sobre a descoberta do galeão
O Governo colombiano, que afirma ter verificado a localização do naufrágio em 2015, defende que a intervenção tem um caráter estritamente patrimonial e científico e lembra que o local está protegido pela legislação nacional de proteção do património subaquático. Enquanto o litígio avança nos tribunais internacionais, o Estado insiste que o interesse público e cultural prevalece sobre qualquer disputa privada. Os objetos recuperados permanecerão sob custódia e serão submetidos a análises em laboratórios especializados antes de qualquer eventual exibição. O resgate reacendeu uma controversia de longa data: a empresa norte-americana Sea Search Armada (SSA) reivindica ter descoberto o galeão San José na década de 1980 e exige uma indenização de US$ 10 bilhões pelos direitos sobre o tesouro, perante a Corte Permanente de Arbitragem.
Futuro da conservação, estudo e acesso público
Os arqueólogos explicam que a conservação é um processo demorado: dessalinização, estabilização e restauração que podem levar vários meses. Cada peça fornecerá pistas para compreender a trajetória do galeão e a composição da carga. A intenção oficial, de acordo com comunicados, é que as descobertas servam para investigação e para fortalecer a memória histórica. O país está elaborando protocolos para a custódia, o estudo e, no futuro, a socialização das peças ao público.
