Os microrganismos que transportamos no nosso corpo, e que proliferam com o calor e a humidade, não só são responsáveis pelos maus odores, como também, em alguns casos, podem afetar a nossa saúde, explica um microbiologista. Não é por acaso que os culpados são os micróbios A questão da higiene está intimamente ligada aos efeitos da presença de microrganismos nos pés e, por extensão, nos sapatos e nas meias. Os pés são uma região do corpo ideal para a proliferação de fungos e bactérias, tanto pela sua temperatura como pelo seu nível de humidade, a tal ponto que se estima que possam abrigar até mil espécies diferentes.
Estes microrganismos proliferam nos pés, alimentando-se do suor e das células mortas da pele, e passam facilmente para as meias e os sapatos, onde também podem permanecer durante longos períodos, libertando os típicos maus odores. Mas nós também podemos contribuir para favorecer isso. Como? Em primeiro lugar, reutilizando as meias, mas também lavando-as a baixas temperaturas, o que dificulta a eliminação dos microrganismos; usando meias sintéticas, que favorecem o enraizamento das bactérias; não secando-as ao ar livre nem passando-as a ferro; e usando frequentemente o mesmo calçado. As altas temperaturas e a radiação solar podem ajudar a eliminar os microrganismos residuais, assim como as meias antibacterianas e de bambu. «Tendo em conta todos estes fatores, não há discussão: as meias devem ser trocadas diariamente. E não apenas para garantir uma limpeza adequada», indica Freestone. A investigadora salienta que as condições de humidade e calor próprias dos pés podem favorecer o desenvolvimento de infeções como o pé de atleta, uma micose que se manifesta com vermelhidão da pele, bolhas e descamação, e que pode ser contagiosa, especialmente quando se partilham espaços como piscinas e ginásios, onde é habitual andar descalço. Entre clips virais e ginásios lotados, esta nova disciplina de corridas de fitness está a tornar-se o desafio do momento, partilhado e experimentado até mesmo por aqueles que treinam mais nas redes sociais do que na passadeira.

Como posso eliminar as infeções nos pés?
Garantir a limpeza dos pés, do calçado e de qualquer outro elemento que entre em contacto com pés potencialmente infetados, especialmente em áreas públicas e partilhadas, pode ser complicado. Por isso, os especialistas recomendam recorrer a lavagens a altas temperaturas, desinfetantes, luz solar e tecidos antimicrobianos. No entanto, uma higiene adequada dos pés não se limita apenas a práticas de limpeza, como lavagens frequentes ou troca diária de meias.
Conforme explicam os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), para reduzir o risco de infeção também é importante cortar as unhas regularmente e vigiar o aspecto dos pés, tratando atempadamente qualquer problema que afete a pele ou as unhas. É importante prestar atenção não só à higiene pessoal, mas também à higiene dos centros de cuidados e beleza que frequenta. O CDC dá especial ênfase ao controverso recurso da pedicure com peixes.
Não mude apenas as suas meias, mude também os seus lençóis
Da mesma forma, manter uma higiene adequada da cama também é uma questão de saúde. A microbiologista salienta que não só as células mortas da pele, o suor e a microbiota cutânea se acumulam na cama, mas também os contaminantes e alérgenos com os quais entramos em contacto durante o dia. Os ácaros, pequenos artrópodes que provocam alergias e se alimentam da nossa pele, também se alojam e multiplicam na roupa de cama, assim como certos fungos que prosperam nas almofadas e que podem desencadear problemas respiratórios e infeções. A recomendação é lavar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana.
Para além das considerações higiénicas, a frequência com que se trocam os lençóis e os restantes elementos da cama, desde edredões a almofadas, também responde a questões de bem-estar. Além dos efeitos desagradáveis do suor, da saliva e da ação de microrganismos e ácaros, os materiais acabam por se degradar e perder a forma, consistência e volume, o que acaba por afetar a qualidade do sono.
