Achado do século. Desenterram um estranho anel de ouro com quase 1000 anos que pertence a um único país

O objeto apareceu durante escavações numa zona protegida e pode fornecer dados importantes sobre a vida urbana na Idade Média. Arqueólogos do Instituto Norueguês de Investigação do Património Cultural (NIKU) encontraram um anel de ouro com uma pedra azul em escavações realizadas em Tønsberg, a cidade mais antiga da Noruega. A descoberta ocorreu numa zona protegida sob a antiga fortaleza real de Tunsberghus. A equipa localizou o objeto a sete centímetros de profundidade numa camada de cultivo. A escavação faz parte de um projeto de infraestrutura de águas pluviais encomendado pelo município de Tønsberg.

Linda Åsheim, membro da equipa, extraiu a peça durante os trabalhos em Prestegaten e ruas próximas. Os arqueólogos já tinham documentado na área vestígios de habitações, estruturas de madeira e sinais de incêndios. A diretora do projeto, Hanne Ekstrøm Jordahl, confirmou que o anel será oficialmente registrado e submetido a análises para determinar sua composição e proveniência.

O design e os materiais do anel encontrado em Tønsberg

O anel apresenta uma pedra oval de cor azul intensa engastada em uma aliança de ouro. Os ourives que o fabricaram aplicaram técnicas de filigrana, com fios de ouro torcidos em espiral, e granulado, por meio de pequenas contas soldadas. Os especialistas indicaram que a pedra provavelmente é vidro colorido e não safira. Na Idade Média, esses materiais eram considerados valiosos por seu simbolismo e lhes eram atribuídas propriedades protetoras.

As crenças da época sustentavam que as pedras azuis preservavam a castidade, arrefeceram o calor corporal e conferiam proteção divina. Estas ideias eram comuns na Europa durante o período medieval. Devido ao seu tamanho reduzido e design, os especialistas da descoberta estimam que o anel pertenceu a uma mulher de alta posição social, possivelmente ligada à elite real ou eclesiástica.

Como foi a descoberta do anel de ouro em Tønsberg

Os arqueólogos dataram o anel no período medieval com base em evidências estratigráficas. O objeto apareceu sob uma camada datada entre 1167 e 1269 d.C., de acordo com análises de radiocarbono realizadas em um galho de abeto. A descoberta ocorreu no centro histórico de Tønsberg, onde a equipa documentou vestígios que confirmam a sua relevância como centro urbano na Noruega medieval.

As escavações revelaram casas, ruas e estruturas de madeira, além de indícios de incêndios que afetaram a cidade em diferentes momentos. Esses dados permitem reconstruir aspectos da vida cotidiana da época. O anel fornece informações sobre a circulação de objetos de luxo e técnicas artesanais na Escandinávia durante os séculos XII e XIII.

Por que a descoberta é uma raridade

O anel se junta a uma lista limitada de peças semelhantes na Noruega. De acordo com a base de dados nacional Unimus, existem aproximadamente 220 anéis de ouro registrados no país, e apenas 63 correspondem à Idade Média. Em Tønsberg, nenhum objeto comparável havia sido encontrado nos últimos 15 anos. A equipa confirmou que a peça será analisada para determinar a composição do vidro e a origem do ouro.

Os estudos permitirão estabelecer ligações com redes comerciais medievais e confirmar a técnica utilizada na sua fabricação. O registo nacional indica que este tipo de joias estava associado a setores sociais privilegiados. O objeto será conservado como parte do património cultural norueguês e incorporado em coleções públicas após as análises correspondentes.

O design nórdico do anel medieval de ouro

O design do anel combina estilos de diferentes períodos. Os motivos em espiral estão relacionados com padrões utilizados na Noruega, Inglaterra e Dinamarca entre os séculos IX e XI. A técnica de filigrana e granulação reflete influências bizantinas e carolíngias introduzidas na Escandinávia por meio de intercâmbios comerciais e contactos políticos. Essas características indicam que a peça foi elaborada com conhecimentos avançados de ourivesaria.

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