Um fóssil com 150 000 anos sugere a coexistência de diferentes hominídeos no norte da China. A descoberta reforça a hipótese do chamado homem dragão. Um fóssil humano com aproximadamente 150.000 anos sugere que o norte da China foi povoado por mais de um grupo humano durante o Pleistoceno. É o que indica uma pesquisa publicada na revista Quaternary Science Reviews, que levanta a hipótese da coexistência de diferentes hominídeos arcaicos na mesma região e período.
O trabalho analisa restos atribuídos ao Homo juluensis, caracterizados por uma elevada capacidade craniana e encontrados na província de Hebei, na década de 1970. Apesar da sua relevância, estes fósseis geraram debate durante décadas devido à dificuldade em determinar a sua antiguidade e o seu encaixe na árvore evolutiva humana. Foi somente em 2024 que uma equipa científica propôs que eles poderiam pertencer a uma espécie humana até então não reconhecida. Um dos principais problemas para interpretar esses restos foi a disparidade das datações obtidas ao longo do tempo. Essa falta de consenso tornou-os um exemplo do chamado muddle in the middle, uma fase da evolução humana marcada por fósseis difíceis de classificar e pela aparente coexistência de linhagens distintas.

Uma cronologia mais precisa
O novo estudo conseguiu reduzir essas incertezas através da aplicação da datação por séries de urânio. A técnica foi utilizada tanto em cinco restos humanos como em fósseis de fauna associados. Graças a isso, os investigadores situaram a presença do Homo juluensis entre 138 000 e 228 000 anos atrás. Notícias relacionadasCiênciaDescoberta de uma rara joia milenar: «Vi algo diferente, cinzento, entre as pedras»Lotaria de Natal 2025Edu Saz, arquiteto: «Com o ‘El Gordo’ da Lotaria de Natal, em Madrid podemos ter acesso a estúdios de cerca de 35-40 m² em obras novas»
Este período coincide com a presença no norte da China do Homo longi, conhecido como o «homem dragão» e datado de cerca de 150 000 anos. Esta sobreposição reforça a hipótese de que pelo menos duas linhagens humanas com características morfológicas diferentes habitaram a região. No entanto, a relação evolutiva exata entre ambas continua por resolver.
