Cientistas descobriram que o isolamento e a falta de contacto com animais estão associados a alterações negativas na microflora intestinal Um grupo de cientistas descobriu que as relações sociais e a interação com animais domésticos, como cães e gatos, não só melhoram o humor, mas também deixam marcas no intestino. Eles publicaram os resultados na revista Aging Research Reviews. Lá, eles mostraram que a diversidade e a saúde das bactérias intestinais estão diretamente relacionadas com o número de laços sociais e o tempo passado com animais.
Eles sugeriram que manter relações frequentes e conviver com animais ajuda o intestino a manter uma comunidade bacteriana mais diversificada e saudável. Os investigadores afirmaram: «A microbiota intestinal humana parece depender significativamente da quantidade, do tipo e da duração dos contactos sociais com outras pessoas e animais». As consequências vão além da vida emocional. As relações sociais e a interação com animais afetam o equilíbrio das bactérias intestinais e podem proteger a saúde.

O intestino — espelho das relações
A equipa de investigadores procurou compreender como as relações sociais afetam o microbioma intestinal em idosos. Para isso, analisaram dados científicos sobre o «microbioma social», ou seja, o conjunto de microrganismos que variam de acordo com os hábitos sociais. A atenção foi focada na quantidade e qualidade das relações, avaliando como elas influenciam a diversidade bacteriana do intestino. Foram recolhidos resultados de estudos em animais. O contacto físico frequente em espécies sociais contribui para a transmissão de bactérias benéficas, o que leva a um microbioma mais homogéneo e saudável.
Animais, ligações e solidão
Durante a investigação, os cientistas recolheram e analisaram estudos anteriores realizados em diferentes países e contextos. Estudaram dados sobre idosos que passaram por situações de isolamento, como a pandemia, e sobre pessoas que viviam com animais de estimação. A revisão incluiu estudos que mediram a composição da microbiota intestinal antes e depois de períodos de ausência de contactos sociais ou mudanças na convivência. Também foram analisados trabalhos dedicados a atletas, pacientes hospitalizados e crianças nascidas durante o confinamento. Entre os principais resultados, os dados mostraram que o isolamento social estava associado a uma menor diversidade de bactérias intestinais.

Em idosos, essa redução na diversidade bacteriana estava associada a alterações que promovem a inflamação e podem afetar o estado geral de saúde. Por outro lado, aqueles que mantiveram as ligações sociais ou viveram com animais de estimação tinham uma microbiota mais diversificada e equilibrada. O contacto diário com cães e gatos, de acordo com os dados analisados, estava associado à presença de bactérias que ajudam a manter a função de barreira intestinal e a controlar a reação inflamatória. Os investigadores observaram que «a convivência com um cão estava associada a uma maior quantidade de bactérias na microbiota intestinal, conhecidas pelas suas propriedades de manter a função da barreira gastrointestinal, suprimir a resposta inflamatória e promover a sensibilidade à insulina».
Ficou claro que tanto o isolamento objetivo, ou seja, viver sozinho, quanto o isolamento percebido podem afetar negativamente a composição da microflora intestinal. O estudo concluiu que os idosos com mais relações sociais ou contacto regular com animais têm um microbioma intestinal mais forte e diversificado, o que pode levar a uma melhoria da saúde física e a uma redução do risco de fragilidade.
