Por que dar presentes nos deixa felizes, mas também nos causa stress, segundo a psicologia

Dar presentes costuma ser associado a alegria, generosidade e celebração, mas também pode despertar ansiedade e pressão. Entender o que está por trás disso pode ajudar a viver a situação com menos stress. Para muitas pessoas, o Natal é sinónimo de encontro, afeto e generosidade. Luzes, música e celebrações criam o clima ideal para dar e receber presentes. No entanto, por trás desse gesto aparentemente simples escondem-se emoções complexas: ilusão, expectativas, medo de falhar e, em muitos casos, stress. A psicologia estuda há anos por que dar presentes nos traz bem-estar, mas também por que pode se tornar uma fonte de tensão emocional e financeira. Longe de ser uma simples troca material, dar presentes comunica o quanto conhecemos, valorizamos e amamos os outros.

A alegria de dar e o seu efeito no cérebro

Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, dar presentes não é um ato puramente altruísta. Várias pesquisas mostram que dar ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer, à motivação e à sensação de bem-estar

A psicóloga Elizabeth Dunn demonstrou que gastar dinheiro com os outros — seja através de presentes materiais ou atos de generosidade — pode melhorar significativamente o bem-estar pessoal. Esta resposta positiva explica por que muitas pessoas sentem satisfação e alegria ao ver a reação de quem recebe um presente.

Além disso, em muitas culturas, o ato de dar tem um profundo valor simbólico. Nos povos do Pacífico e na tradição maori, por exemplo, os taonga (tesouros) representam respeito, conexão e honra. Não se trata do preço, mas do significado emocional, da história partilhada e da reciprocidade

Esta abordagem também se reflete em práticas como o koha, em que dar — seja dinheiro, comida ou tempo — fortalece os laços sociais e reforça o sentimento de pertença a uma comunidade.

O que torna um presente realmente significativo

A investigação em psicologia comportamental mostra que os presentes mais valorizados não são os mais caros, mas aqueles que demonstram compreensão do destinatário. Ou seja, aqueles que se conectam com a sua identidade, valores, interesses ou história pessoal.

Paradoxalmente, os estudos indicam que muitas pessoas preferem receber presentes que pediram explicitamente, enquanto aqueles que oferecem presentes tendem a escolher surpresas, acreditando que terão um maior impacto emocional.

Alguns princípios que ajudam a reduzir o stress e aumentar o significado do presente são:

  • Priorizar o valor emocional em detrimento do material
  • Escolher experiências partilhadas em vez de objetos
  • Considerar o tempo e o esforço como formas de dar
  • Aceitar que a reciprocidade nem sempre é equivalente

Barclay destaca que a gratidão desempenha um papel central: «Quem expressa gratidão valoriza mais quem dá e é mais propenso a retribuir no futuro».

Nesse sentido, dar um presente também pode significar escrever uma carta, preparar uma refeição, oferecer ajuda ou criar uma lembrança. Esses gestos costumam ter um impacto emocional mais duradouro do que qualquer objeto caro.

Repensar os presentes para aproveitar mais

A psicologia concorda em um ponto fundamental: dar presentes não deve ser um teste de desempenho emocional. O sentido original do gesto está na conexão, não na perfeição.

Reduzir as expectativas, planear com antecedência e aceitar que nenhum presente define uma relação pode aliviar grande parte do stress associado às festas. Compreender que o amor, o carinho e o compromisso se expressam de várias maneiras permite viver a experiência com mais tranquilidade.

Como resume Barclay: «Precisamos dar às pessoas o benefício da dúvida com os seus presentes, e elas devem fazer o mesmo connosco».

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