Trata-se de uma peça única com mais de 45.000 anos de idade que foi encontrada na Indonésia e revoluciona todo o conhecimento sobre a história. Achado milenar. É divulgada a descoberta do século: uma civilização milenar na Península Ibérica reescreve a história moderna Trata-se da imagem de um porco verrugoso pintada há 45.500 anos numa caverna da ilha indonésia de Célebes. «Pelo que sabemos, a pintura do porco de Célebes que encontramos na caverna de calcário de Leang Tedongnge é atualmente a obra de arte figurativa mais antiga do mundo», disse em comunicado Adam Brumm, um dos líderes da equipa científica da Universidade de Griffith e do centro de investigação arqueológica indonésio
Sem precedentes: encontrada a primeira obra de arte da humanidade
A imagem substitui como a pintura rupestre figurativa mais antiga do mundo outra descoberta em 2020 na mesma ilha pela equipa de Brumm, que representava uma cena abstrata de caça de há 43.900 anos. A nova descoberta está escondida dentro de uma das paredes internas da caverna Leang Tedongnge, localizada em um vale cercado por penhascos íngremes de calcário no sul da ilha de Célebes e só pode ser acessada durante a estação seca por uma pequena passagem que permanece inundada durante a estação chuvosa.
Este porco endémico da ilha indonésia aparece na representação com uma crista vermelha de pêlos eriçados e um par de verrugas faciais à frente dos olhos, uma característica dos exemplares adultos. «Pintado com pigmento vermelho ocre, o porco parece estar a observar uma luta ou interação social entre outros dois porcos verrugosos», observou Brumm, arqueólogo da Universidade Griffith, na Austrália, ao referir-se ao estudo publicado na revista Science Advances. Esses porcos verrugosos foram representados durante milhares de anos pelos antigos humanos da região, especialmente durante a Era Glacial, o que, segundo o arqueólogo, sugere que eles não eram apenas fonte de alimento, mas também de expressão artística.

O rasto do “pipoca” de milho rochoso
Para determinar a idade da pintura rupestre de Leang Tedongnge, os cientistas basearam-se na medição da degradação radioativa do urânio dos depósitos de carbonato de cálcio que se formaram na superfície da “tela” rochosa utilizada para retratar este porco. «Em Leag Tedongnge, formou-se uma espécie de «pipoca» rochosa atrás de uma das patas da imagem do porco depois de ter sido pintada, o que nos permitiu determinar a idade mínima da pintura», explicou outro dos líderes da equipa, Maxime Aubert, da Universidade de Griffith.
Wallacea esconde mais segredos
Além da imagem deste porco de 45.500 anos, os cientistas descobriram em uma caverna próxima outra pintura semelhante que data de 32.000 anos atrás. Esta última pintura, descoberta em 2020, tem a peculiaridade de representar seres abstratos que combinam características humanas e animais, conhecidos como “teriantropos”, que caçam grandes mamíferos com lanças e cordas, o que pode ser, segundo o especialista, a prova mais antiga da capacidade humana de imaginar “a existência de seres sobrenaturais, a pedra angular da experiência religiosa”.
As pinturas rupestres de Célebes estão entre as evidências mais antigas da presença de humanos modernos nas ilhas oceânicas entre a Ásia e a Austrália-Nova Guiné, uma zona batizada de “Wallacea”. «A nossa espécie deve ter atravessado Wallacea em embarcações para chegar à Austrália há cerca de 65 000 anos», afirmou Aubert, considerando que é possível que trabalhos futuros mostrem evidências arqueológicas dessa época ou mesmo anteriores a ela.
