Como é o Phantom 3500, o avião comercial sem janelas que voará em 2027

A Otto Aerospace apresentou um avião sem janelas que aposta em maior eficiência e menor consumo A aviação comercial poderá sofrer uma mudança significativa com a chegada do Phantom 3500, o primeiro avião comercial sem janelas projetado para o transporte civil. Desenvolvido pela empresa norte-americana Otto Aerospace, este modelo promete redefinir os padrões de eficiência, design e experiência a bordo, com um primeiro voo previsto para 2027 e uma possível certificação no final da década.

A principal novidade do Phantom 3500 é a eliminação quase total das janelas na cabine de passageiros, uma decisão que responde a critérios aerodinâmicos e de eficiência estrutural. Em vez de janelas tradicionais, os passageiros poderão observar o exterior através de câmaras instaladas na fuselagem, cujas imagens serão projetadas em ecrãs 4K localizados nas paredes e no teto da cabine. A única abertura física será a escotilha exigida pelas normas de segurança como saída de emergência. De acordo com a Otto Aerospace, esta abordagem permite otimizar o design da fuselagem e reduzir o peso, além de melhorar o fluxo laminar do ar ao redor da aeronave. O resultado é um avião mais eficiente em termos de consumo de combustível e com maior autonomia operacional, concebido para competir no segmento de aeronaves médias e transformar o mercado da aviação geral.

O Phantom 3500 apresenta uma fuselagem em forma de lágrima, um design pouco comum na aviação comercial, mas fundamental para reduzir a resistência aerodinâmica. Esta geometria, combinada com o uso intensivo de materiais compósitos, visa maximizar o desempenho em voo e ampliar o leque de destinos para os quais pode operar, incluindo aeroportos mais pequenos ou com restrições. Quanto às suas especificações técnicas, o avião estará equipado com dois motores turbofan Williams FJ44, conhecidos pela sua eficiência e baixo consumo. Poderá voar à sua altitude máxima de forma mais eficiente do que os jatos leves tradicionais e oferecerá uma cabine com um volume aproximado de 22,65 metros cúbicos. O espaço interior terá uma altura e comprimento próximos de dois metros, o que, segundo a empresa, proporcionará uma sensação de amplitude superior à de outros aviões da sua categoria.

A capacidade do Phantom 3500 será de quatro passageiros, o que o posiciona como uma aeronave orientada para voos executivos, privados ou missões específicas de alta eficiência. Também contará com uma cauda em forma de T e asas projetadas para manter um fluxo de ar mais estável durante o voo, reforçando o seu foco na eficiência aerodinâmica. Um dos aspetos centrais do projeto é o uso de materiais compostos avançados. A Otto Aerospace explicou que a estrutura da aeronave — incluindo fuselagem, empenagem e asas — será fabricada através do processo Toray 1100, um método que oferece maior resistência em comparação com outros compostos convencionais. Este material permitirá construir uma aeronave mais leve e robusta, com benefícios diretos no desempenho e consumo.

O processo de fabricação será baseado na moldagem por transferência de resina, uma técnica que consiste em colocar fibras pré-impregnadas em um molde, injetar resina em componentes selados a vácuo e aplicar calor para a sua cura. Uma vez concluídos, os componentes da fuselagem serão unidos a partir do interior, o que permitirá manter uma superfície exterior mais lisa e sem interrupções, um fator chave para conservar o fluxo laminar do ar. Além do uso comercial, o design do Phantom 3500 também desperta interesse em aplicações militares e de defesa, onde a eficiência, a autonomia e a redução de assinaturas estruturais podem ser estratégicas. Embora a Otto Aerospace não tenha detalhado planos concretos nesta área, reconhece que o conceito poderia ser adaptado a diferentes cenários operacionais.

Em termos de calendário, a empresa prevê realizar a revisão preliminar do design em janeiro deste ano. Posteriormente, encomendará todas as peças necessárias para concluir a revisão crítica do design, uma etapa prévia indispensável antes do primeiro voo. Se os prazos forem cumpridos, o Phantom 3500 descolará pela primeira vez em 2027. Paul Touw, diretor executivo da Otto Aerospace, disse que a intenção é montar a aeronave no próximo ano como um “veículo com qualidade de produção”, o que significa que não será um simples protótipo experimental. Além disso, ele adiantou que serão fabricadas quatro unidades destinadas a testes de voo, com o objetivo de avançar para a certificação oficial, prevista provisoriamente para 2030.

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