Os especialistas não acreditam nos seus olhos: ao analisar os desenhos de Da Vinci, eles descobrem vestígios invisíveis de prata, cobre e mercúrio

Com a ajuda de métodos científicos não invasivos, os especialistas descobriram resíduos microscópicos de prata, cobre e mercúrio incorporados nas fibras do papel — materiais que nunca foram detectados a olho nu. Um dos casos mais reveladores é o desenho de Leonardo, conhecido como «Esboços compositivos para a Virgem com o Menino Jesus». A análise revelou que a folha de papel não era um suporte neutro. Antes de desenhar, o artista aplicou uma base rosa, preparada com gesso, cinza de osso e carbonato de cálcio. Essa base serviu como um tom intermediário, facilitando a modelagem de volumes e contrastes, uma estratégia mais característica da pintura do que do desenho tradicional.

Técnicas renascentistas de Da Vinci: prata, cobre e mercúrio nos esboços

Sobre essa base, Da Vinci começou a desenhar linhas com uma ponta metálica composta principalmente de prata, mas também contendo cobre e mercúrio. Essas primeiras marcas foram descobertas graças ao mapeamento químico. Em seguida, o gênio florentino reforçou o desenho com tinta à base de ferro. Este procedimento mostra que os desenhos eram um espaço para experiências técnicas, onde Da Vinci experimentava materiais, aplicava camadas e investigava efeitos de luz com uma precisão quase científica. Este nível de complexidade confirma que o processo criativo do artista estava ligado ao conhecimento do material e às suas reações ao longo do tempo.

Tecnologias avançadas para revelar os segredos dos mestres da Renascença

Para chegar a estas conclusões, a equipa de investigação utilizou um conjunto de ferramentas avançadas que não danificam as obras. Entre elas destacam-se a imagem multiespectral, a espectroscopia Raman e a fluorescência de raios X (XRF). Este último método desempenhou um papel fundamental na criação de mapas elementares que mostram a distribuição exata de metais, como chumbo, ferro ou prata, no papel. Graças a estes métodos, os cientistas também descobriram detalhes invisíveis nas pinturas de Rafael. Por exemplo, em «Estudos do Menino Jesus», foram descobertas manchas feitas com gesso aplicado com pincel, que hoje se tornaram transparentes devido ao envelhecimento do aglutinante.

Rafael e Perugino: descobertas químicas que redefinem os desenhos da Renascença

A investigação também revelou que Rafael não seguia uma fórmula única para as suas tintas. Em alguns desenhos, predominava o ferro, enquanto noutros foram encontrados zinco e manganês, o que indica diferentes fontes de minerais e métodos de preparação na sua oficina. Em obras como «Lucrezia», foram até encontrados cortes e vestígios de carbono, indicando processos de transferência para reproduzir o desenho em outras superfícies. Perugino, por sua vez, utilizou uma combinação de estilete de prata e mercúrio numa base preparada a partir de cinzas de ossos, uma técnica difícil de identificar sem uma análise química aprofundada.

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