Ele é um dos especialistas mais populares e reconhecidos na área e queria falar sobre um tema importante: quanto devemos caminhar A atividade física é necessária para levar uma vida saudável. Isso foi comprovado pela ciência após décadas de estudos sobre o corpo humano. No entanto, algumas pessoas ainda confundem esse hábito com boa forma física. Felipe Isidro, professor de educação física, revelou os mitos mais comuns sobre esse conceito e os resultados mais benéficos da atividade física.
«A atividade física é o movimento na vida quotidiana. Devemos tentar mover-nos o mais possível, mas o problema é que vivemos numa civilização que não incentiva o movimento. Temos carros, motos e, por isso, temos de fazer mais do que o necessário», afirma o especialista numa entrevista à RTVE. Felipe Isidro, licenciado em atividade física e desporto, dedica grande parte da sua vida a divulgar as várias vantagens da atividade física.
Esta deve ser um hábito e não uma tarefa pontual que incluímos na nossa vida, se quisermos desfrutar de uma boa saúde física e mental. «Como não nos movimentamos o suficiente, os exercícios físicos tentam, pelo menos, compensar essa falta de movimento com treinos regulares», acrescenta o especialista ao referido meio de comunicação. Na verdade, não é necessário passar muitas horas na academia ou na esteira, como muitos pensam. Isso é um mito.
Caminhada

«Caminhar 10 minutos por dia, 3 vezes por semana, pode ser suficiente», sugere o especialista. No entanto, o professor aposta numa rotina adaptada às necessidades de cada pessoa, tendo em conta as suas características físicas e outros hábitos básicos, como a alimentação. De qualquer forma, a sua mensagem é clara. «É preciso estar em forma para praticar desporto, e não praticar desporto para estar em forma», sublinha. Outro elemento que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de exercícios diários é a motivação. O uso de equipamentos especiais, a ida ao ginásio ou a presença de um treinador também não são elementos obrigatórios. Basta usar roupas confortáveis e ter um local onde se possa movimentar.
«Costumo dizer que devemos fazer não o que queremos, mas o que precisamos. É claro que devemos facilitar os exercícios físicos. Podemos praticar em casa, sem ir à academia, com qualquer roupa e sem equipamentos», explica o professor, desmistificando um dos mitos mais comuns. Segundo ele, «basta simplesmente mover o peso do corpo» para quem está a regressar gradualmente a uma vida ativa. «O primeiro passo não nos levará onde queremos, mas nos tirará do lugar onde estamos. Devemos começar com exercícios muito simples, praticar por pouco tempo, usando o peso do corpo e sem sair de casa», acrescenta.
Exercícios de força
Caminhar é uma das formas mais simples de atividade física, acessível à maioria das pessoas. «É uma atividade física, o que significa que é sempre melhor do que não fazer nada», afirma o especialista. No entanto, Felipe Isidro salientou que isso não é suficiente. «Temos de fazer mais alguma coisa. Caminhar não é suficiente. Temos de treinar os nossos músculos e força, porque é a primeira coisa que perdemos com a idade», explica ele. Como a ciência provou, «a partir dos 35 anos, começamos a perder massa muscular e funções». Por isso, agora mais do que nunca, é importante introduzir hábitos mais complexos na nossa vida. «Caminhar é muito bom, mas devemos incluir exercícios de força simples na nossa rotina diária», diz ele. Na verdade, isso é um requisito fundamental para manter o nosso bem-estar físico.

«A função muscular é absolutamente necessária para a saúde humana. Quem permite que os seus músculos se degenerem torna-se rapidamente uma pessoa idosa e está sujeito a mortalidade prematura», afirma. Além disso, o especialista deixou claro que «não há idade para começar a praticar desporto». Este é um dos mitos mais comuns sobre o desporto. «Há pessoas com 80 ou 85 anos que começam a praticar exercícios físicos adequados às suas capacidades e melhoram a sua capacidade funcional em 20 anos biológicos», afirma com convicção.
Necessidades e capacidades
Em qualquer caso, o mais importante é praticar uma atividade física moderada, adequada às nossas necessidades e capacidades. «A dose adequada de exercício depende de cada pessoa, mas é claro que a prática de desporto previne o envelhecimento», afirmou noutra entrevista com o Dr. Borja Banderas. «O envelhecimento é inevitável, mas sentir-se velho é uma escolha. Se praticar exercício, se alimentar corretamente, se socializar, se descansar bem e se cuidar do seu corpo, viverá melhor», afirma.
Este é o grande segredo para prolongar a vida, mas para isso é necessário manter os hábitos por um longo período de tempo. «A frequência é a variável mais importante, porque adquirir um hábito leva muito tempo e, uma vez adquirido, devemos tentar não o perder, porque o cérebro tende a levar-nos ao conforto. É preciso lutar um pouco contra a natureza», recomenda ele. Segundo o especialista, em sua entrevista, em média, uma pessoa leva 66 dias para adquirir um hábito, mas 21 dias para perdê-lo.
