O aumento das temperaturas no verão em centros urbanos em todo o mundo reacendeu a necessidade de estruturas que atenuem o calor, mas que, ao mesmo tempo, economizem energia. Perante este cenário, surgiu na Suíça a ideia de um tijolo que pode arrefecer, concebido para ser incorporado em locais movimentados, como paragens de transportes, acessos a instituições ou praças. A proposta que estamos prestes a revelar foi desenvolvida por jovens designers num programa universitário e recorre a materiais porosos e a um design que aproveita processos físicos básicos, especialmente a evaporação. Com isso, procura-se obter pequenos enclaves de ar mais fresco em zonas onde o asfalto e a falta de sombra elevam a sensação térmica.
Invenção suíça: um tijolo que pode arrefecer em resposta ao calor acumulado
Dois designers ligados ao curso de Design Industrial da Universidade de Artes de Zurique (ZHDK) criaram um tijolo que tem a capacidade de «arrefecer». O projeto, denominado bloc°, surgiu em resposta aos episódios prolongados de calor que se tornaram mais frequentes em várias cidades europeias. É importante lembrar que várias superfícies urbanas podem ultrapassar em mais de 10 °C as zonas rurais próximas devido a coberturas escuras, asfalto e ausência de vegetação. Para enfrentar esse comportamento térmico, eles projetaram módulos de terracota fabricados por impressão 3D que são montados como peças repetíveis.

Como funciona este tijolo que pode arrefecer espaços urbanos?
A chave do sistema bloc° reside na combinação de terracota porosa e um circuito de água alimentado por energia solar. O material cerâmico absorve a humidade e permite que o ar quente circule por canais internos.
Nesse percurso, a evaporação extrai calor do ambiente. O conjunto opera por meio de três elementos:
- Terracota porosa: facilita a absorção e liberação de água.
- Um pequeno ventilador solar: move o ar através dos canais.
- Um depósito interno: distribui a água que evapora durante o processo.
Quais foram as influências desta invenção que promete arrefecer as cidades?

A ideia baseia-se em técnicas utilizadas historicamente em regiões quentes, como os sistemas de armazenamento em vasos de barro ou estruturas que favorecem a auto-refrigeração por evaporação. Também toma referências biológicas, especialmente formas que geram sombra ou que direcionam o fluxo de ar. O caráter modular permite instalar uma única unidade ou montar agrupamentos maiores. A sua geometria facilita a sua localização sem grandes intervenções: ao longo de calçadas, junto a mobiliário urbano ou delimitando pequenas áreas de descanso. Desta forma, adapta-se aos espaços existentes sem implicar grandes alterações arquitetónicas.
Este tipo de peça procura complementar estratégias mais amplas, como o aumento da sombra vegetal ou a utilização de pavimentos refletores. O papel desta invenção suíça reside em atuar exatamente onde o calor se concentra, gerando pequenos pontos de alívio térmico em ambientes muito movimentados. As próximas fases contemplam testes em escala real no exterior para avaliar a sua eficácia em climas com humidade variável. Também estão a ser estudadas outras utilizações, desde integrar as peças em fachadas até ampliar a sua utilização em interiores de grande volume, como naves industriais. Por último, o seu funcionamento autónomo e a sua capacidade de operar sem ligação à rede tornam-no um elemento aplicável a zonas com recursos limitados. Cada módulo mantém a sua própria reserva de água e ventilação, de modo que pode crescer em altura ou largura, de acordo com as necessidades do espaço disponível.
