Este país descobriu a maior jazida de lítio do mundo num supervulcão: a exploração começará em 2028

Durante muitos anos, o lítio foi associado a desertos brancos e construiu a sua influência estratégica nesta paisagem, que hoje sustenta a transição energética de que o mundo necessita. Mas os Estados Unidos estão a mudar tudo. No entanto, o mapa do lítio no mundo está a começar a mudar. Nos Estados Unidos, cientistas e empresas de mineração voltaram a sua atenção para os restos de um antigo supervulcão. Sob camadas de cinzas e rochas vulcânicas, pode estar concentrada uma reserva tão grande de lítio que mudará o equilíbrio energético do mundo.

A descoberta está concentrada na caldeira de McDermitt, uma gigantesca cicatriz vulcânica formada há cerca de 16 milhões de anos e que se estende entre os estados de Nevada e Oregon. Lá, sob camadas de cinzas vulcânicas solidificadas, os Estados Unidos descobriram depósitos de argila rica em lítio, muito diferente dos salares que até agora dominavam o mapa do lítio no mundo. De acordo com a Litio Argentina, este depósito pode conter entre 20 e 40 milhões de toneladas métricas de lítio, o que excede as reservas estimadas do salar de Uyuni, na Bolívia, bem como as reservas descobertas na China.

Após muitos anos de estudos ambientais, obtenção de licenças federais e disputas judiciais, o projeto recebeu autorização para ser implementado. Se os prazos forem cumpridos, a exploração comercial começará em 2028 e a produção será orientada para o fornecimento à indústria de baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, um setor de importância fundamental para o futuro energético dos Estados Unidos e do mundo.

O significado desta descoberta vai muito além do volume. Para os Estados Unidos, representa uma oportunidade real de reduzir a sua dependência da importação de lítio, uma matéria-prima considerada crítica para a segurança económica e tecnológica do país. No contexto da concorrência estratégica com a China, a existência de uma fonte interna em grande escala reforça a posição dos EUA na corrida pela eletrificação e transição energética. No entanto, o potencial é acompanhado por tensões. A extração de lítio das argilas requer processos industriais complexos e um manejo cuidadoso da água e do território. Além disso, a região tem valor cultural e simbólico para os povos indígenas, o que alimenta o debate sobre desenvolvimento, sustentabilidade e justiça ambiental.

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