Durante muitos anos, o apelido paterno era automaticamente colocado em primeiro lugar na certidão de nascimento, enquanto o apelido materno ficava em segundo plano. Esta disposição, prevista na Lei de Registo Civil, correspondia à lógica patriarcal, que minimizava o papel das mães na identidade e na genealogia da família. Este esquema começou a desmoronar-se em 2022, quando o Supremo Tribunal do país decidiu que a imposição do apelido paterno como primeiro era inconstitucional. Esta decisão tornou-se um precedente histórico, reconhecendo o direito das famílias de decidir livremente a ordem dos apelidos dos seus filhos e filhas. Em 10 de outubro de 2022, o município do estado tornou-se palco de um acontecimento sem precedentes. Naquele dia, um casal decidiu exercer um direito que, embora garantido por lei desde 2015, praticamente não era aplicado na prática: registrar a filha com o sobrenome da mãe como primeiro.
Essa decisão rompeu com uma tradição profundamente enraizada, segundo a qual o sobrenome do pai deveria aparecer automaticamente em primeiro lugar na certidão de nascimento. Pela primeira vez na história do município, a família questionou abertamente essa norma não escrita e abriu um novo caminho na compreensão da identidade familiar. Pode ser interessante Já é oficial e afeta milhões de pessoas: viajar em 2026 será muito mais caro devido ao aumento acentuado dos preços dos vistos e passaportes abre numa nova aba Tendo em conta o precedente de Hidalgo e o apoio à decisão do Supremo Tribunal do país em abril de 2025, uma deputada local do partido apresentou uma iniciativa para alterar o Código Civil do estado com uma abordagem mais ambiciosa.

A proposta não se limita a garantir a liberdade das famílias na tomada de decisões sobre a ordem dos apelidos. Vai ainda mais longe: propõe que, caso os pais não cheguem a um acordo, o serviço de registo atribua automaticamente o apelido da mãe em primeiro lugar. Se aprovada, esta alteração mudaria a lógica histórica, segundo a qual, na ausência de consenso, a preferência era dada ao apelido do pai.
A deputada classificou a prática tradicional como «discriminatória» e salientou que, embora em algumas organizações já exista a possibilidade legal de escolher a ordem dos apelidos, poucas famílias exercem esse direito, seja por desconhecimento, seja por pressão de normas sociais arraigadas. «Chegou a hora de deixar para trás as práticas que tornam as mães invisíveis. Esta reforma visa alcançar a igualdade substancial e o pleno reconhecimento dos direitos das mulheres», afirmou a legisladora A tradição de colocar o apelido do pai em primeiro lugar tem raízes históricas, jurídicas e culturais profundamente ligadas aos sistemas patriarcais. Ao longo dos séculos, a pertença jurídica e social foi construída com base na figura masculina, considerada o chefe da família e a principal referência em questões de herança, ascendência e sucessão.

No âmbito jurídico, muitas leis civis partiam do princípio de que o nome do pai garantia a certeza da pertença e da transmissão de bens, enquanto o papel da mãe se limitava a cuidar dos filhos e à sua educação. Esta lógica foi transferida para o Registo Civil, onde a ordem dos apelidos foi estabelecida como uma norma automática e não como uma escolha. Benefícios. O governo confirmou a fórmula de 2026, segundo a qual os aposentados receberão muito mais dinheiro todos os meses. Abrir numa nova aba Plástico. O cartão de bem-estar está a mudar e agora será necessário alterar o número de identificação pessoal para não perder dinheiro. Abrir numa nova aba
A isso se somou o peso da tradição social: gerações inteiras cresceram com a ideia de que alterar a ordem «correta» dos apelidos era uma exceção ou mesmo um erro. Assim, mesmo quando as leis começaram a permitir a livre escolha, a pressão cultural e a ignorância mantiveram em vigor uma prática que hoje é questionada por reproduzir a desigualdade de género e tornar invisível a contribuição das mães para a identidade familiar.
