O projeto Artemis 2, a estreia de estações privadas e um voo esperado da Starship ao planeta vermelho marcarão a agenda do ano. 2026 será um dos anos mais importantes das últimas décadas em termos de exploração espacial. Agências espaciais e empresas privadas concentrarão uma quantidade incomum de importantes missões além da órbita terrestre. Desde o primeiro voo tripulado com destino à Lua em mais de meio século até estações espaciais privadas e sondas que chegarão a asteróides e planetas distantes, nos próximos meses seremos testemunhas de projetos que já estão em fase avançada de desenvolvimento ou com datas de lançamento atribuídas.
Artemis 2 (NASA)
Artemis 2 será a primeira missão tripulada a viajar para a órbita lunar desde a Apollo 17 em 1972. O lançamento está previsto provisoriamente para 6 de fevereiro de 2026 e levará quatro astronautas a bordo da nave Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System (SLS). A tripulação é composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o astronauta canadiano Jeremy Hansen. A missão não inclui uma alunagem: o plano é realizar um sobrevoo ao redor da Lua e retornar à Terra após uma viagem de aproximadamente 10 dias. O objetivo central é validar todos os sistemas críticos da Orion em um voo real no espaço profundo, desde suporte vital e navegação até comunicações e reentrada atmosférica. Os dados obtidos pela Artemis 2 serão fundamentais para autorizar uma futura missão com alunagem humana na superfície do nosso satélite.

Starliner-1 (Boeing)
A Starliner-1 será uma missão não tripulada da Boeing à Estação Espacial Internacional, prevista para abril de 2026. O voo será um teste fundamental para a nave CST-100 Starliner, após os problemas técnicos registados em missões anteriores. Em 2024, falhas nos propulsores impediram o regresso imediato dos astronautas Sunita Williams e Butch Wilmore, que só puderam regressar à Terra em 2025. A Starliner-1 procurará demonstrar que esses inconvenientes foram resolvidos e que a nave pode operar de forma segura e fiável.
HAVEN-1 (Vast)
A HAVEN-1 pretende tornar-se a primeira estação espacial comercial do mundo. O projeto pertence à Vast, uma startup aeroespacial com sede na Califórnia, e o seu lançamento está previsto para maio de 2026. Trata-se de uma estação de módulo único, projetada para abrigar missões tripuladas de curta duração. Terá capacidade para quatro pessoas e será voltada para atividades de investigação, demonstrações tecnológicas e operações comerciais em microgravidade. Se o cronograma for cumprido, a HAVEN-1 será o início da era das plataformas privadas em órbita baixa, num contexto em que a Estação Espacial Internacional se aproxima do fim de sua vida operacional.
MARK 1 (Blue Origin)
O módulo lunar MARK 1, também identificado como MK1, é a primeira tentativa da Blue Origin de demonstrar capacidades de aterragem lunar. A missão está prevista para o início de 2026 e será não tripulada. O veículo transportará carga científica e tecnológica, incluindo o instrumento SCALPSS da NASA, um sistema de câmaras concebido para registar como os motores de descida interagem com a superfície lunar durante a aterragem. O MK1 foi concebido para operar em conjunto com o foguete New Glenn e faz parte dos esforços para desenvolver sistemas de transporte de carga pesada para a Lua, um componente essencial para futuras missões humanas sustentadas.
Starship para Marte (SpaceX)
A SpaceX mantém como objetivo levar a Starship a Marte o mais rápido possível, embora o calendário ainda seja incerto. Elon Musk indicou em várias ocasiões que a empresa pretende fazer uma tentativa no final de 2026 ou início de 2027, dependendo dos avanços nos testes orbitais e reabastecimento no espaço. A Starship é um sistema totalmente reutilizável, projetado tanto para missões lunares quanto interplanetárias. Antes de qualquer tentativa marciana, a nave deve completar com sucesso voos orbitais, reentradas controladas e operações complexas na órbita terrestre. Embora não haja confirmação oficial de uma janela específica, 2026 surge como um ano decisivo no desenvolvimento do programa.

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman (NASA)
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem o lançamento previsto para o final de 2026, com uma janela que pode se estender até o início de 2027. Trata-se de um dos observatórios mais ambiciosos da NASA em décadas. Roman observará o universo no infravermelho próximo e terá um campo de visão muito mais amplo do que o do Hubble. A sua missão principal será estudar a energia escura, a matéria escura e a evolução das galáxias, além de detectar e caracterizar exoplanetas.
BepiColombo (ESA e JAXA)
O BepiColombo chegará finalmente a Mercúrio em novembro de 2026, após uma viagem iniciada em 2018. A missão conjunta da Agência Espacial Europeia e da japonesa JAXA utilizou uma trajetória complexa com múltiplas assistências gravitacionais paraalcançar o planeta mais próximo do Sol. Uma vez em órbita, ela lançará duas sondas para estudar a superfície, a composição, o campo magnético e o ambiente extremo de Mercúrio. Os dados ajudarão a entender melhor como os planetas rochosos se formaram e por que Mercúrio evoluiu de maneira tão diferente da Terra.
Tianwen-2 (China)
Tianwen-2 é a missão chinesa de retorno de amostras de um asteróide próximo da Terra. Lançada em maio de 2025, chegará em julho de 2026 ao asteróide Kamoʻoalewa, também conhecido como uma quase-lua terrestre. A sonda recolherá material da superfície e enviá-lo-á de volta à Terra, com regresso previsto para 2027. O objetivo é estudar a composição deste corpo e obter pistas sobre a origem dos asteróides próximos e a sua relação com o nosso planeta.
