Existem mais de 200 espécies invasoras. A ideia de um animal que vem de fora e altera o ecossistema geralmente evoca imagens de criaturas exóticas, grandes e até agressivas. Um desses animais que substitui outros para ocupar o seu lugar é o crocodilo. No entanto, os danos reais nem sempre são causados em grande escala e nem sempre são acompanhados de muito barulho.
Nas Ilhas Canárias, este invasor silencioso parece uma cabra. Não se destaca e não assusta ninguém. Mas, ao vaguear pelos cumes do Teide, destrói espécies vegetais que só existem ali e que evoluíram ao longo de milhões de anos. O caso das cabras no Teide é apenas um dos exemplos de como as espécies invasoras podem alterar ecossistemas únicos. Em Espanha, destacam-se também o papagaio argentino, a meia-lua ou o olho-de-boi americano, todos com um impacto negativo na biodiversidade local. Conhecer estes problemas ajuda a compreender por que é importante respeitar as regras nas áreas naturais, não introduzir animais ou plantas exóticos e colaborar na preservação de ambientes vulneráveis como as Ilhas Canárias.

Espécie invasora que devora a flora das Ilhas Canárias
Esta espécie invasora é chamada de muflão (Ovis orientalis musimon) e foi introduzida em Tenerife em 1971 para caça (para que pudesse ser caçada). Alguns anos depois, o mesmo aconteceu em La Palma. Embora inicialmente fosse uma ideia muito simples, com o tempo tornou-se um grave problema ecológico. Este animal, originário da Ásia e com parentes na Córsega e na Sardenha, encontrou nas ilhas um paraíso sem predadores, sem concorrência real e com grande quantidade de comida. O resultado, bastante previsível, foi que se reproduziu facilmente e começou a devorar a flora endémica.
Isso, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é um exagero ecológico. São plantas únicas, que foram incluídas nos catálogos de espécies protegidas antes mesmo do aparecimento dos muflões. A sua dieta, composta por rebentos e pastagens, tornou-se uma ameaça direta à biodiversidade das Ilhas Canárias. O pastoreio constante de certas espécies de plantas impede a sua recuperação, a que se soma o impacto do pisoteio, que destrói o solo e contribui para a erosão. Em locais como Málaga, Cazorla, Valência ou Cuenca, a sua presença é normal, limitando-se frequentemente a propriedades privadas. No entanto, a situação nas Ilhas Canárias é diferente, uma vez que o seu impacto no ecossistema frágil e isolado da ilha torna-os um problema que requer uma solução urgente.
![]()
Quão perigosa é esta espécie invasora?
Existe uma discussão em torno do muflão. Alguns condenam as campanhas de extermínio como desnecessárias e até ilegais. Eles afirmam que não foi declarado uma espécie invasora em todo o território do país, não transmite doenças e a sua presença pode até ser benéfica. Eles enfatizam que, enquanto se caça muflões, outras espécies invasoras, como o caranguejo vermelho ou a mexilhão cebra, continuam a causar sérios danos. No entanto, no caso de Tenerife e La Palma, os relatórios científicos são inequívocos: os muflões ameaçam espécies de plantas protegidas. Não é uma questão de simpatia pelos animais, mas sim de preservação da natureza. A discussão não deve girar em torno de se isso é bonito, útil ou se não atrapalha muito, mas sim em torno de se a sua presença é compatível com um ecossistema único no mundo. E, neste caso, o muflão é incompatível com as Ilhas Canárias.
