Grande mudança na gestão de resíduos: as cascas de pistache são um tesouro e podem revolucionar a indústria energética

Alguns agricultores referem-se ao pistache como o «ouro verde», mas o que poucos sabem é que a sua casca tem um potencial energético muito maior do que pensávamos. Poderia transformar a sustentabilidade das explorações agrícolas. Durante anos, a gestão dos seus resíduos na agricultura foi um problema. O pistácio já estava em expansão em Espanha, e as suas vantagens adicionais deixam claro por que razão este fruto seco era subvalorizado. Como demonstrou a Agro Vivero del Mediterráneo, especialista no cultivo deste fruto, não se estava a aproveitar o poder calorífico da casca da pistache, que rivaliza com o de outros biocombustíveis mais famosos.

O valor energético da casca da pistache: um biocombustível esquecido

Após cada campanha, o processamento do pistache gera toneladas de cascas que, até recentemente, representavam um custo adicional para o agricultor. A sua remoção implicava transporte, armazenamento e, em muitos casos, um impacto ambiental desnecessário. Esse cenário está a mudar graças a um dado fundamental: as cascas de pistache têm um poder calorífico aproximado de 4.500 quilocalorias por quilo. Este valor coloca-as ao nível de biocombustíveis consolidados, como os pellets de madeira de alta qualidade. Além disso, têm uma vantagem adicional em relação a outros resíduos agrícolas. Uma vez secas, mantêm um baixo teor de humidade e geram poucas cinzas durante a combustão. O resultado é um combustível eficiente, estável e fácil de gerir em caldeiras de biomassa.

A oportunidade de utilizar o pistácio na geração de eletricidade

A utilização energética das cascas não se limita à produção de calor. A sua transformação em pellets ou briquetes permite padronizar o produto e abrir a porta à sua utilização em instalações industriais e sistemas automáticos de alimentação. Ou seja, não só seria possível utilizar a casca do pistache para autoconsumo energético, como também existe uma via real para a comercialização do excedente. Em explorações de grande dimensão, o impacto é especialmente significativo. Uma exploração média pode gerar milhares de toneladas de cascas por ano, suficientes para cobrir uma parte importante das necessidades energéticas de secadores, armazéns ou naves agrícolas. Em instalações adequadas, essa biomassa pode até ser utilizada para gerar eletricidade, o que reduziria a dependência da rede e amorteceria o impacto da volatilidade dos preços da energia. Do ponto de vista económico, a mudança é evidente. O que antes era uma despesa torna-se um recurso estratégico capaz de reduzir custos fixos e gerar novas receitas.

A importância do uso de biocombustíveis para a economia circular na agricultura

Os resíduos retornam ao sistema produtivo, fechando o ciclo e reduzindo a pegada ambiental da exploração. A energia obtida da própria cultura é reinvestida no seu processamento. Isso cria um modelo mais autossuficiente e sustentável. Esta abordagem também abre novas oportunidades para a indústria energética, que encontra nos subprodutos agrícolas uma fonte renovável, local e constante. A chave está na mudança de mentalidade. Onde antes se via um resíduo, agora se detecta um recurso com alto valor acrescentado. As cascas de pistache já não são um problema a gerir, mas um ativo capaz de melhorar a rentabilidade das explorações.

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