Uma ratazana regressou do espaço e deu à luz, o que comprova que a exposição breve à microgravidade e à radiação não impede a reprodução de mamíferos, de acordo com uma experiência controlada sem precedentes Ao longo da história da investigação espacial, uma das principais questões foi determinar se a vida pode se desenvolver e ser mantida em ambientes fora da Terra. Inicialmente, as primeiras experiências com animais em órbita tinham como objetivo confirmar a sobrevivência em condições extremas, como microgravidade e radiação espacial.
No entanto, as pesquisas evoluíram e hoje se concentram em aspetos biológicos fundamentais, como a capacidade dos organismos de se reproduzirem no espaço, conforme relata a revista Muy Interesante. A experiência foi desenvolvida com o objetivo de responder à questão de se um mamífero, após permanecer em órbita, podemanter as suas funções reprodutivas ao retornar ao planeta.
Realização da experiência: envio, condições e resultados
Quatro ratos foram enviados para a estação espacial a bordo da nave e passaram duas semanas num habitat especialmente criado para o seu bem-estar. Este habitat expô-los à microgravidade, à radiação e a um ritmo de vida específico na órbita terrestre. Durante a missão, foram utilizados sistemas avançados de engenharia ecológica, como iluminação sincronizada com o ritmo circadiano, ventilação para manter a pureza do ar e alimentação adaptada às necessidades dos animais no espaço. Esses elementos permitiram que os ratos concluíssem o experimento sem alterações significativas na sua saúde reprodutiva.

Obstáculos e soluções durante a missão espacial
A missão enfrentou dificuldades inesperadas relacionadas com o calendário de regresso. A prorrogação imprevista da estadia dos ratos em órbita criou o risco de esgotamento das reservas de ração especialmente preparada para eles. Nessa situação, a equipa responsável avaliou alternativas a partir dos estoques disponíveis para os astronautas. Após testes laboratoriais, o leite de soja foi escolhido como substituto temporário da ração especial, o que permitiu manter os animais em um estado fisiológico estável até o seu retorno. Além disso, foi implementado um sistema de monitorização em tempo real baseado em inteligência artificial, que acompanhava parâmetros como movimento, alimentação e ciclos de sono. Essa tecnologia facilitou a tomada de decisões rápidas e precisas e desempenhou um papel fundamental no sucesso do experimento.
Consequências do nascimento após a estadia no espaço
A obtenção de descendentes saudáveis após a permanência em órbita representa um avanço significativo no estudo da reprodução em condições extremas. Os ratos, com o seu ciclo de vida rápido e sensibilidade às mudanças ambientais, são usados como modelo para prever possíveis efeitos biológicos em humanos durante futuras missões espaciais. A observação cuidadosa da mãe e dos filhotes mostrou que a exposição de curto prazo à microgravidade e à radiação não interfere em processos essenciais, como ovulação, implantação do embrião e gravidez. Embora a concepção não tenha ocorrido no espaço, o experimento levanta questões sobre a possibilidade de completar ciclos reprodutivos completos fora da Terra.
A novidade científica da experiência em comparação com precedentes históricos

Embora existam precedentes em que animais sobreviveram a voos espaciais e posteriormente tiveram descendentes, esta experiência difere significativamente. Pela primeira vez, foi realizada uma investigação controlada com objetivos científicos claramente definidos e observação cuidadosa antes, durante e após o voo. Ao contrário dos casos anteriores, em que os partos após missões espaciais não faziam parte dos estudos planeados e não eram acompanhados por dados detalhados, desta vez cada etapa do ciclo reprodutivo foi documentada em condições experimentais precisas. Além disso, foi criado um registo ativo da viabilidade e desenvolvimento dos filhotes, o que permite estabelecer as bases para estudos multigeracionais. Essa abordagem sistemática e a transparência das informações destacam a pesquisa como um verdadeiro avanço na biologia espacial.
Questões em aberto e previsões para pesquisas futuras
O nascimento dos filhotes após a missão não é o fim da pesquisa. Os cientistas agora estão focados em estudar o desenvolvimento físico e reprodutivo desses animais, comparando suas características com as de ratos que nunca estiveram no espaço. Uma das principais questões é se a prole será capaz de se reproduzir normalmente, o que seria um avanço significativo na confirmação da possibilidade de reprodução intergeracional de mamíferos após voos espaciais curtos. A observação desses animais estabelecerá as bases para o planeamento de missões mais longas e a criação de colónias autossuficientes fora da Terra.
