Especialistas e estudos científicos comparam ambas as práticas para o alívio muscular, avaliando benefícios e riscos de acordo com a saúde individual Nos últimos anos, a sauna e o banho frio deixaram de ser práticas reservadas a atletas de alto rendimento e ganharam popularidade como ferramentas de recuperação muscular, sobretudo entre pessoas com mais de 50 anos que procuram aliviar dores e melhorar o seu bem-estar após o exercício. Uma análise publicada pela Prevention reúne a visão de especialistas em saúde e atividade física, que detalham quais benefícios reais eles oferecem, quais riscos devem ser levados em consideração e em que casos são recomendados. A chave, concordam, está em usá-los com critério e adaptá-los às condições de saúde e necessidades individuais.
Benefícios e riscos da sauna
Tina Tang, personal trainer certificada com sede em Jersey City, Nova Jersey, mencionou na Prevention que uma sessão de sauna estimula os mecanismos naturais de recuperação do corpo: “O calor aumenta a circulação, eleva ligeiramente a frequência cardíaca e ajuda a relaxar os músculos tensos”, explicou. O aumento do fluxo sanguíneo melhora o fornecimento de oxigénio e nutrientes aos músculos fatigados e contribui para reduzir o desconforto após esforços exigentes, acrescentou Ruecker. Tang destacou que a transpiração gerada pelo calor ajuda a eliminar subprodutos metabólicos produzidos durante o exercício, o que tem um impacto positivo na inflamação e na dor.
Além disso, a sauna pode favorecer o sono, diminuir o stress e aliviar doenças crónicas, de acordo com estudos citados pela Prevention. Em mulheres durante e após a menopausa, o seu uso facilita a adaptação às mudanças na tolerância térmica próprias dessa fase. Não é imprescindível ter uma sauna tradicional; alternativas como banhos quentes ou ambientes aquecidos podem replicar parte dos efeitos relaxantes e circulatórios, aliviando a tensão muscular após o treino. No entanto, a sauna apresenta riscos se não for utilizada com controlo. Ruecker alertou que a desidratação por suor excessivo é uma das principais complicações: «Perder demasiado líquido ao suar pode afetar a recuperação, pois faz com que os músculos e as articulações fiquem ainda mais rígidos», observou a fisioterapeuta. Por isso, recomendou hidratar-se antes e depois de cada sessão.

Este método é contraindicado para pessoas com problemas cardíacos, hipertensão ou medicação específica, pois as altas temperaturas podem sobrecarregar o sistema cardiovascular. Enquanto isso, Tang sugeriu que as sessões não ultrapassem 74 ℃ (165,2 ℉) e tenham duração entre 25 e 30 minutos, e aconselhou suspender o uso diante de qualquer sinal de mal-estar.
Benefícios e precauções do banho frio
No outro extremo, o banho frio ganhou adeptos pelo seu efeito revitalizante após o esforço físico. De acordo com Tang, citada pela Prevention, as baixas temperaturascontraem os vasos sanguíneos e redirecionam o fluxo para os músculos, o que pode acelerar a recuperação, especialmente em mulheres com maior redistribuição sanguínea para a pele após o exercício. Ruecker e Tang concordam que a exposição ao frio estimula a liberação de noradrenalina, hormônio que melhora o humor e a energia geral. Embora a imersão possa aumentar a inflamação na primeira hora, a exposição regular tende a reduzi-la. Estudos citados pela Prevention sugerem que também pode beneficiar o controlo do stress, a imunidade e a qualidade do sono, embora as evidências continuem a ser desenvolvidas. Para quem não tem uma banheira especial, Ruecker recomenda duches frios, compressas de gelo ou imersões das pernas de cinco a dez minutos. Segundo Tang, para muitas mulheres, mesmo exposições breves são eficazes, dada a sua sensibilidade ao frio.

O banho frio, no entanto, não é adequado para todos. Ruecker adverte que a exposição a temperaturas extremas pode sobrecarregar o sistema cardiovascular em pessoas com doenças cardíacas ou circulatórias e causar desconforto se não for feito gradualmente. Ambas as especialistas alertam para o uso excessivo, pois pode inibir certos benefícios do treino, especialmente em exercícios focados na adaptação e no desenvolvimento muscular. Tang observou que aplicar frio imediatamente após o treino de força pode reduzir a inflamação necessária para o progresso físico. Para pessoas com mais de 50 anos, as especialistas consultadas pela Prevention consideram que a sauna representa uma alternativa mais vantajosa. Ruecker destacou que essa alternativa é mais suave para o sistema cardiovascular, ajuda a reduzir a rigidez articular e melhora a circulação, além de beneficiar o tecido conjuntivo durante o envelhecimento.
Tang sublinhou que a exposição frequente ao calor favorece a recuperação da tolerância térmica, especialmente durante e após a menopausa, e citou indícios de que a sauna pode ajudar a mitigar os riscos relacionados com o aumento de peso e a resistência à insulina na velhice. De acordo com o balanço da Prevention, a sauna e o banho frio são alternativas válidas para a recuperação muscular, embora a adaptação às particularidades e preferências individuais seja essencial em cada caso. Para quem busca segurança e resultados comprovados pela ciência, a sauna surge como a opção mais adequada para a maioria das pessoas com mais de 50 anos.
