Arqueólogos descobriram um complexo sistema de comunicação da era neolítica baseado em conchas

Há cerca de 6000 anos, na pré-história, alguém soprava numa concha e o som propagava-se por centenas de metros, talvez até quilómetros. Era uma forma eficaz de alertar, reunir pessoas ou comunicar-se em territórios onde as distâncias eram um grande obstáculo. Isso foi agora confirmado por um grupo de arqueólogos espanhóis após a análise de várias conchas feitas de conchas marinhas encontradas em monumentos neolíticos da Catalunha. As evidências indicam que elas não apenas produziam sons potentes, mas também foram projetadas para transmitir sinais claros a longas distâncias. Neste artigo, vamos contar o que exatamente foi encontrado, como essas conchas eram usadas e por que essa descoberta muda nossa compreensão da organização social e comunicativa das comunidades neolíticas.

Conchas — um meio de comunicação no Neolítico

Os exemplares estudados foram encontrados em povoados pré-históricos e minas de Gava-Can-Tintorer, perto da costa da Catalunha. Eles são feitos de conchas do molusco marinho Charonia lampas, um molusco grande e resistente, ideal para a produção de som.

Os investigadores descobriram que as conchas foram recolhidas após a morte do animal e alteradas intencionalmente. Em alguns casos, a parte superior da concha foi removida, o que é necessário para soprar e produzir som.

Para compreender a sua função real, a equipa submeteu-as a testes acústicos controlados. Os resultados foram evidentes: as conchas emitem sons muito intensos, bem audíveis a grande distância, mesmo em condições de obstáculos visuais.

Além disso, elas não emitem um único tom. Com pequenas alterações na forma de soprar, é possível modular o som e gerar diferentes sequências. Isso dá motivos para acreditar que elas serviam não apenas para alertar, mas também para transmitir mensagens mais complexas ou mesmo para fins musicais.

Esta descoberta não se limita a um local específico. Conchas semelhantes são encontradas em sítios arqueológicos localizados a dezenas de quilómetros uns dos outros, o que indica a existência de uma prática comum entre diferentes comunidades e uma rede de comunicação mais ampla do que se pensava anteriormente.

Importância da descoberta das conchas para a investigação

Até agora, a comunicação no Neolítico era interpretada principalmente com base no contacto direto e na proximidade entre os grupos. Estas conchas indicam a existência de sistemas destinados a coordenar ações, alertar sobre perigos ou marcar momentos coletivos sem a necessidade de se verem uns aos outros.

Elas também fornecem informações sobre a organização do território. As comunidades neolíticas não viviam isoladas e precisavam de instrumentos para manter a comunicação entre os povoados, as minas e as zonas de passagem.

Outro ponto importante é o possível uso simbólico ou expressivo. O facto de as conchas permitirem criar melodias sugere que a música já desempenhava um papel importante, talvez em rituais, reuniões ou eventos sociais.

Este tipo de instrumentos reforça a ideia de que as sociedades neolíticas não se limitavam apenas ao cultivo, à exploração de recursos e à construção. Também desenvolviam formas complexas de comunicação sonora.

Além disso, esta descoberta está de acordo com outros exemplos históricos. Em diferentes partes do mundo, as conchas foram utilizadas durante séculos para comunicar, convocar ou marcar momentos coletivos. A Catalunha junta-se agora a esta história com provas arqueológicas convincentes.

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