Seba García é uma das figuras centrais da coquetelaria contemporânea. Aqui, ele repassa os seus imperdíveis e recomenda as melhores bebidas para desfrutar nesta temporada Em 2025, a Argentina vive um renascimento: bares versáteis, bares para todos os gostos, jovens talentosos, cafés especializados, novas técnicas e um público que exige qualidade sem perder a cordialidade. “Hoje, educamos os consumidores com paixão e estilo, e continuamos a oferecer tendências que nos representam. A coquetelaria argentina é uma das melhores do mundo: construímos isso juntos, com profissionalismo, dedicação e uma identidade cada vez mais sólida”, diz Seba García, bartender e diretor criativo com mais de duas décadas de carreira.
Garcia é referência na coquetelaria argentina contemporânea e criador de conceitos que transformaram o cenário local e internacional, incluindo a sua presença no Presidente Bar Miami. Seba García é barman e diretor criativo com mais de duas décadas de experiência. Referência da coquetelaria argentina contemporânea e criador de conceitos que transformaram o cenário local e internacional, incluindo a sua presença no Presidente Bar Miami
“A coquetelaria sempre foi, para mim, uma forma de interpretar o mundo. Há bebidas que acompanham etapas, que resumem viagens, que lembram pessoas, que mudam a noite ou que simplesmente ensinam a encontrar equilíbrio num copo”, afirma o especialista que, em exclusivo para o Infobae, elaborou uma lista de dez cocktails que, pela sua história, popularidade e caráter, fazem parte da sua vida quotidiana atrás e à frente do balcão. Vários deles também serão sensação neste verão.

Amore Milano
“Amore Milano é, para mim, o último novo clássico argentino. Um cocktail que combina Campari, citrinos e um perfil de whisky que, na sua primeira versão, levava single malt, alcançando um equilíbrio moderno e profundamente portenho.
É um daqueles drinks que não precisam de apresentação: eles se explicam por si mesmos. Hoje, vários dos bares mais importantes do mundo o incluem em seus cardápios com grande sucesso, sinal de que sua estrutura é tão bem construída que se adapta a qualquer paladar e estilo de coquetelaria, sem perder identidade ou elegância”, começa enumerando García ao Infobae.
E acrescenta: «Adoro porque é um cocktail que se pode beber a qualquer hora do dia. Tem frescura, caráter e um amargor agradável que acompanha sempre. Quando uma bebida funciona assim, é porque encontrou o seu lugar na cultura», diz.
Por que funciona também no verão? «Embora tenha caráter, é surpreendentemente fresco. O equilíbrio entre Campari, uísque e cítricos torna-o a bebida ideal para pores-do-sol quentes», explica o especialista. E recomenda: «Mantenha o gelo impecável.
Um bom balde e um copo frio elevam o seu perfil e tornam-no mais agradável para o calor. A sua guarnição com hortelã confere-lhe uma frescura aromática».
Onde tomar o melhor. «Adoro beber um Amore Milano no Nobel Bar (Martin Fierro 3290, Parque Leloir). Lá, o cocktail encontrou um segundo lar: a equipa prepara-o com precisão, respeito pela receita e uma estética que realça o seu caráter moderno e equilibrado. É um lugar onde o Amore Milano brilha pela sua elegância e atenção aos detalhes em cada serviço. E, claro, volto sempre ao Frank’s Bar (Arévalo 1445, Palermo), o lugar onde ele nasceu em 2013. Lá, eles o preparam com uma delicadeza especial: respeitam a receita original, cuidam do gelo, dos copos, da temperatura e daquele pequeno ritual de bar que faz com que o Amore Milano chegue à mesa com o mesmo espírito com que foi criado”, acrescenta o especialista.
Negroni
O Negroni é o clássico perfeito, segundo García. “Gin, Campari e vermute rosso em partes iguais: uma fórmula tão simples quanto eterna. É um cocktail que não precisa de refinamentos ou reinterpretações para brilhar.
A sua magia está no equilíbrio: amargo, doce e aromático ao mesmo tempo. É servido bem frio, com gelo (com um grande cubo de gelo na versão moderna) e decorado com meia rodela de laranja que realça as suas notas cítricas“, detalha.
”O Negroni não é apenas uma das bebidas mais pedidas na Argentina: hoje é considerado o cocktail mais consumido do mundo. E é um daqueles cocktails que eu gosto tanto de beber quanto de preparar. Tem aquela nobreza única, onde cada movimento importa: a medida certa, a diluição precisa, a tranquilidade da agitação. Sua popularidade global confirma algo indiscutível: a simplicidade bem executada continua sendo uma das ideias mais poderosas na coquetelaria desde 1919”, explica.
Onde tomar o melhor. “O Negroni é apreciado na sua máxima expressão no Presidente Bar Recoleta (Av. Quintana 188) ou no Presidente San Isidro (dentro do Hipódromo), onde se cuida do gelo, dos copos e da temperatura para que a bebida chegue sempre nítida, intensa e perfeitamente equilibrada”, diz García.

Gin Tonic
O Gin Tonic é uma das bebidas mais influentes dos últimos anos. Gin, tónica e gelo sólido: três elementos que, quando combinados com precisão, resultam numa bebida limpa, aromática e refrescante.
«Fresco, aromático e limpo. É a bebida que melhor acompanha o calor argentino: gelo sólido, tónica vibrante e um perfil botânico que nunca cansa pelas suas infinitas opções», diz García. Conselho do barman: «Procure copos grandes, gelo firme e uma tónica bem gelada. A simplicidade, quando bem cuidada, é imbatível no verão».
«A sua popularidade deve-se à sua versatilidade: permite brincar com perfis botânicos, cítricos e apimentados sem perder a sua essência minimalista. É um clássico que evoluiu e se tornou um ritual moderno», observa o especialista.
«O Gin Tonic tem algo que adoro: não precisa de se disfarçar para brilhar. Quando é bem servido, com bons copos, gelo firme, tónica fresca e uma medida certa de gin, é imbatível. É simples, sim, mas nunca básico”, diz Sebas.
Onde tomar o melhor. “Gosto de beber um bom Gin Tonic no Cochinchina (Armenia 1540, Palermo), onde trabalham o equilíbrio entre botânicos e temperatura com uma precisão admirável.
E se estou em Rosário, aprecio-o muito no La Gintonería (Balcarce 340, Rosário), um lugar que entende este cocktail como um ritual e o serve com técnica, frescura e uma seleção de gins impecável”, explica García.
Espresso Martini
O Espresso Martini é a ponte perfeita entre dois mundos que hoje estão mais vivos do que nunca: a coquetelaria e o café especial.
“Vodka, licor de café e um espresso acabado de fazer, servido bem frio e com aquela espuma cremosa que já é um ícone. Não é uma sobremesa nem uma bebida noturna: é um estímulo elegante”, observa García
“O boom das cafetarias especializadas na Argentina elevou o padrão deste cocktail. As pessoas já reconhecem um bom espresso e isso nota-se no copo.
É uma bebida que gosto tanto de preparar como de beber: doce, moderna, energética e precisa. Quando bem executada, desperta e relaxa ao mesmo tempo», acrescenta o especialista.
Onde tomar o melhor. «Um dos meus favoritos é o Espresso Martini (com um toque de cacau) do Punto Mona (Fraga 93, Chacarita): equilibrado, aromático e com uma espuma impecável.
E se não estiver no bar, o meu lugar preferido para tomá-lo é o 90’s Coffee Roasters (Maipú 714, CABA): os rapazes são geniais e amantes de café e sempre conseguem um Espresso Martini preciso, intenso e delicioso”, recomenda.

Aperol Spritz
O Aperol Spritz é o aperitivo moderno por excelência.
«Uma mistura equilibrada de Aperol, espumante e soda, servida em copo balón com muito gelo e decorada com meia rodela de laranja. Leve, espumante e fotogénico, é o cocktail que melhor representa a cultura do «tardeo»: encontros longos, conversas suaves e uma sensação de frescura imediata», comenta Sebas.
Por que domina a temporada? “Leve, borbulhante e social. Representa a cultura do “tardeo”, a conversa suave, o copo grande e a busca pela frescura sem esforço”, diz García. Conselho do barman: “O segredo está no espumante: se estiver bem gelado, o Spritz fica mais elegante e vibrante. Nunca sirva sem gelo transbordando”.
“O Spritz tornou-se um fenómeno global porque tem algo que poucos cocktails conseguem: é simples, agradável e delicioso, sem exigir nada em troca. É ideal para quem está a dar os primeiros passos na arte da coquetelaria e também para quem aprecia o aperitivo clássico. Adoro prepará-lo e adoro bebê-lo porque, quando bem feito, transmite aquela ideia de verão eterno que todos procuramos”, acrescenta.
Onde tomar o melhor. «Um dos lugares onde mais gosto de tomar um Aperol Spritz é a Casa Cavia (Palermo). Lá, o serviço, os copos e o ambiente elevam a bebida a outro nível: luz natural, jardim, elegância e uma bebida servida com precisão que transforma algo simples num momento realmente especial. E também há algo muito especial no Al Fondo Pasillo Bar (Campos salles 2145, CABA): se se aproximar do balcão e pedir uma versão de um Spritz, a equipa cria algo diferente e mágico. Eles têm essa sensibilidade para reinventar sem perder o espírito do aperitivo, conseguindo bebidas frescas, criativas e cheias de identidade”, diz García.
Penicillin
O Penicillin é um dos grandes clássicos modernos. Combina uísque escocês, sumo de limão, mel, gengibre e um toque fumado conseguido com um float de scotch. «É um cocktail reconfortante, quente no inverno e surpreendentemente fresco no verão. Uma mistura nascida em Nova Iorque que hoje pertence ao mundo inteiro», explica o especialista.
E acrescenta: «O que adoro no Penicillin é o seu equilíbrio: tem intensidade, doçura, acidez e um aroma fumado que envolve sem invadir. É uma bebida que funciona sempre e que demonstra que a coquetelaria também pode ser emocional. Além disso, é um dos cocktails que mais gosto de preparar porque cada parte é importante: o mel, a potência do gengibre, o whisky base e aquele pequeno gesto final que define o seu caráter”.
Onde tomar o melhor. “Um dos meus lugares favoritos para beber um ótimo Penicillin é El Limón (Castillo 590, CABA), onde o preparam com mão firme e respeito pela receita original.
A textura, o equilíbrio e a nota fumada estão sempre no ponto certo. E se estiver em Mendoza, vale a pena passar pelo The Garnish Bar (Av. Arístides Villanueva 528), onde servem um dos melhores Penicilinas do país”, recomenda o barman.
Garibaldi (Campari Organge)

O Garibaldi é um daqueles clássicos que se encontram na maioria dos bares argentinos. «Com apenas dois ingredientes, Campari e sumo de laranja espremido, consegue uma simplicidade que encanta: amargor suave, cítrico fresco e uma textura que, quando bem trabalhada, transforma algo cotidiano num ritual. É o aperitivo ideal para começar o dia, a tarde ou a noite», recomenda García.
Conselho do barman: «Use laranjas frescas e trabalhe o sumo para dar textura. Um Garibaldi bem integrado é como se fosse verão líquido».
“Adoro porque o Garibaldi demonstra que a coquetelaria não precisa de complexidade para emocionar. Tudo depende do produto e do tratamento que lhe é dado. Quando a laranja é realmente bem espremida, arejada ou trabalhada para obter um perfil mais sedoso, o cocktail torna-se irresistível. É uma daquelas bebidas que gosto tanto de preparar como de beber: simples, limpa e profundamente argentina em espírito”, acrescenta.
Onde tomar o melhor. “Um dos Garibaldi que mais gosto é no Sardina Bar (Falucho 3266, Mar del Plata), onde preparam o sumo de laranja fluffy, arejado e leve, que transforma o cocktail numa experiência suave e perfumada. Lá, o Garibaldi atinge uma das suas melhores versões: fresco, luminoso e com uma textura que apaixona desde o primeiro gole”, diz o especialista.
Old Fashioned
O Old Fashioned é o pai de todos os cocktails. «Whisky, açúcar, bitter e uma casca de laranja: quatro elementos que, quando estão em equilíbrio, definem a própria essência da coquetelaria clássica. É uma bebida direta, honesta e sem artifícios, que se baseia na qualidade do destilado e na precisão da técnica», resume.
«É um daqueles cocktails que gosto tanto de preparar como de beber. Não deixa margem para esconder erros: se o gelo não for bom, se o whisky não tiver carácter ou se a diluição não estiver no ponto certo, nota-se logo no primeiro gole. Mas quando está bem feito, é pura elegância.
Uma bebida que acompanha, que ordena e que marca o ritmo da noite”, acrescenta.
Onde tomar o melhor. “Sempre gosto de pedir um Old Fashioned no 878 (Thames 878, Villa Crespo), um bar histórico que honra este clássico com respeito, técnica e consistência.
E se estou na costa, aprecio-o muito no Tiki Bar Mar del Plata (Alem 3690), onde o preparam com uma mão firme e um perfil aromático que o torna quente e memorável”, recomenda o especialista.
Dry Martini
O Dry Martini é a máxima expressão da coquetelaria clássica. “Gin bem gelado, vermute seco (dry) na medida certa e uma guarnição mínima: azeitona ou casca de limão. É uma bebida que vive da pureza, do frio e da precisão. Não admite distrações nem excessos. É, simplesmente, o coquetel que separa o correto do excelente. Uma variante é o Gibson com uma cebolinha como decoração“, acrescenta o especialista.
”O Dry Martini é um ritual. Não é apenas um dos cocktails que mais gosto de beber: é também um dos que mais respeito preparar.
Cada detalhe importa: os copos gelados, a proporção certa, a tranquilidade da agitação, o perfume do limão. Quando bem feito, é um golpe de pura elegância. Não é para todos, e é justamente aí que reside parte do seu encanto: o Martini não procura agradar, procura ser”, define Garcia.
Onde tomar o melhor. “Adoro pedir um Dry Martini no BASA (Basavilbaso 1328, Retiro), onde o preparam com precisão cirúrgica, temperatura perfeita e um caráter que se sente desde o primeiro gole. Também gosto de o beber no Gran Bar Danzón (Libertad 1161, Recoleta), um bar histórico que entende o Martini como um gesto de estilo e serviço. Se quiser um Martini fresco, com baixo teor alcoólico e refrescante, recomendo o super Apple Martini do Mixtape Listening bar (Roosevelt 1806, CABA)», recomenda o especialista.
Whisky Higball
O Whisky Highball é um dos grandes protagonistas de 2025. “Simples na aparência: whisky, soda e gelo sólido, mas sofisticado na execução, este cocktail reflete a nova tendência global de beber destilados com frescura, transparência e precisão.
É limpo, leve e refrescante, mas sem perder o caráter do whisky. Representa uma cultura que cresce em todo o mundo: “menos é mais” quando a técnica é realmente cuidada”, detalha García.
“O Highball redefine a relação com o whisky. Torna-o cotidiano, agradável, versátil.
Já não é uma bebida de inverno ou de poltrona de couro: é um acompanhamento perfeito para o meio-dia, a tarde ou a noite. Adoro porque exige respeito por três detalhes fundamentais: o gelo, a temperatura e a carbonatação. Quando o Highball é bem feito, é pura elegância minimalista”, acrescenta.
Onde tomar o melhor.
“Um dos meus favoritos é o Highball do Boticario Bar (Honduras 5207, Palermo). Lá, eles preparam com precisão absoluta: gelo impecável, refrigerante potente e um serviço que respeita o espírito japonês do Highball. É uma versão fresca, nítida e perfeitamente equilibrada, ideal para entender por que este cocktail se tornou um dos mais pedidos de 2025. E se estiver em Córdoba Capital, vale a pena procurar um dos melhores Highballs que já provou na vida: o do The Green Light (Achával Rodríguez 244, Córdoba). Eles preparam-no com uma precisão admirável e uma frescura que o torna inesquecível”, acrescenta o barman.
Bonus Track 2025, a surpresa do ano: Clover Club
O Clover Club, um clássico recuperado, mistura gin, limão, framboesas e espuma de clara de ovo. A sua cor vibrante e perfil ácido-doce posicionam-no como o cocktail revelação do verão, ideal para noites frescas e sofisticadas
“O Clover Club voltou com força em 2025 e tornou-se uma das grandes surpresas do ano na Argentina. Um clássico anterior à Lei Seca que combina gin, sumo de limão, framboesas e uma espuma sedosa feita com clara de ovo. É um cocktail elegante, colorido e tecnicamente perfeito, que reapareceu graças a uma geração de bartenders que o recuperou e o colocou novamente na moda”, diz o especialista.
Por que surpreende no verão? “Cor vibrante, framboesas frescas, acidez agradável e espuma sedosa. Fresco, elegante e perfeito para noites quentes”, diz García. E acrescenta: “Conselho do barman: agite bem para obter uma espuma firme e perfumada. O Clover Club entra pelos olhos e fica pelo seu equilíbrio”.
Para García, tem algo irresistível: é fresco, aromático e visualmente bonito. «Recupera a coquetelaria clássica sem rigidez e demonstra que uma bebida pode ser suave e poderosa ao mesmo tempo. É um dos grandes regressos do ano. Um cocktail que emociona desde a cor até ao último gole e que chegou para conquistar um público que pede cada vez mais bebidas equilibradas e com identidade», afirma.Onde tomar o melhor. «O Clover Club que mais gosto é no Tradition & Rebellion (Olga Cossettini 731 Piso 4, Puerto Madero). Lá, preparam-no com precisão absoluta: espuma firme, framboesas frescas e um perfil ácido-doce perfeitamente calibrado. Uma versão que respeita a história do cocktail, mas o traz para 2025 com um estilo próprio e sofisticado. E há mais: beber um Clover Club na Golden Hour, com a vista da cidade refletida no rio, torna o cocktail uma experiência completa. A luz, a música e o serviço fazem com que cada copo tenha um momento próprio», conclui o especialista.
