O projeto ainda está em construção e pretende estabelecer novas bases na construção de «megastruturas» Quem contempla uma grande cidade a partir do solo raramente imagina até que ponto a ambição humana pode desafiar o céu. Desde os tempos da Torre Eiffel, símbolo de Paris e admiração universal, a corrida para construir arranha-céus cada vez mais extremos, inovadores e gigantescos não parou de acelerar. Hoje em dia, a lista dos edifícios mais altos do mundo tornou-se um percurso pelos sonhos faraónicos de engenheiros e arquitetos, de Dubai a Nova Iorque, passando por Xangai e Kuala Lumpur. Cada torre representa um poder económico, um marco da engenharia e, acima de tudo, uma declaração de intenções: aqui estamos nós, e queremos que todo o planeta saiba disso.
Quem teve a sorte de subir nos rápidos elevadores do Burj Khalifa, ficar boquiaberto com a silhueta da Torre de Xangai ou tirar uma foto ao lado das Petronas de Kuala Lumpur, sabe que essas estruturas de aço e vidro oferecem muito mais do que vistas privilegiadas.
São o coração de bairros reinventados, o motor de novas economias e um formidável íman para quem procura experiências de viagem que desafiem os limites do possível. Agora, quando parecia que nada poderia superar a altura recorde do Dubai, surge um novo candidato disposto a mudar para sempre a escala vertical do planeta.
O nascimento da Torre Jeddah: o colosso saudita
Na Arábia Saudita está a ser forjado um dos projetos mais ambiciosos e visionários: a Torre Jeddah. Com uma altura projetada de 1.000 metros — sim, um quilómetro completo —, esta futura estrutura não só quer tirar a coroa do Burj Khalifa, mas também abrir uma nova era na construção de «super arranha-céus». Atualmente, as suas fundações já estão em desenvolvimento na cidade de Yeda e a obra promete transformar o horizonte numa escala nunca antes vista. Tornar-se a referência mundial da arquitetura extrema é o objetivo claro deste gigantesco prisma de cristal, que aspira a bater todos os recordes atuais.

Mas a Torre Jeddah não é um caso isolado. Ela faz parte de um ambicioso plano nacional para diversificar a economia saudita, atrair investimentos e criar um polo global de inovação. O futuro arranha-céu será, portanto, o emblema arquitetónico de uma estratégia na qual a tecnologia, o design e o poder económico convergem para reposicionar o país no cenário internacional.
Um design que procura reinventar a arquitetura vertical
A encomenda do projeto ficou a cargo do estúdio Adrian Smith + Gordon Gill, famoso por ter dado forma ao próprio Burj Khalifa. Mas o desafio saudita vai ainda mais longe: trata-se de superar a marca de Dubai e elevar o conceito de torre a uma nova dimensão. Se tudo correr como previsto, a Torre Jeddah duplicará em altura muitos dos edifícios icónicos existentes. A sua forma esguia é inspirada em elementos naturais do deserto, o que permite minimizar o impacto dos ventos fortes a tais alturas. O edifício terá 157 andares e um complexo sistema de elevadores ultrarrápidos, capazes de percorrer grandes distâncias em apenas alguns segundos.
Os andares superiores serão uma das grandes atrações para viajantes de todo o mundo: aqui ficará o mirante mais alto já concebido, com vistas incomparáveis do Mar Vermelho e do centro urbano de Jeddah. Essas vistas panorâmicas, até agora reservadas apenas aos pássaros, em breve se tornarão o alvo das câmaras e telemóveis dos visitantes mais intrépidos. Mas o verdadeiro alcance do projeto excede o próprio arranha-céu. A Torre Jeddah será o coração da Kingdom City, um megaprojeto urbano avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares e projetado para abrigar mais de 100 mil pessoas.
Este novo distrito integrará hospitais, universidades, residências de luxo, escritórios, hotéis e áreas comerciais, traçando o plano de uma cidade do futuro que aspira a se tornar uma verdadeira referência econômica para toda a região. Olhar para o passado e ver como Dubai usou os seus arranha-céus para reinventar a cidade — e o país — é a inspiração saudita, embora numa escala ainda mais gigantesca. No interior do futuro colosso, haverá opções para todos os gostos e bolsos: desde suites exclusivas e apartamentos de luxo a áreas comerciais, restauração de alta gama e escritórios; tudo sob o mesmo teto e a poucos metros do céu.
